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Visionauta: como a tecnologia e a inteligência artificial ampliam a autonomia de pessoas com deficiência visual

Homem cego utilizando um smartphone para identificar um produto em uma prateleira de supermercado, com auxílio de um aplicativo de inteligência artificial, enquanto segura uma bengala branca.

Encontrar o controle remoto perdido no sofá, identificar o valor de uma cédula, ler o rótulo de uma embalagem ou consultar o painel de uma máquina de lavar são ações que muitas pessoas realizam no dia a dia sem precisar pensar duas vezes. Para pessoas cegas ou com baixa visão, porém, quando objetos, informações e ambientes não são acessíveis, situações corriqueiras podem exigir o auxílio de outra pessoa — não por falta de autonomia, mas porque ainda existem barreiras que dificultam o acesso independente à informação. 

Foi dessa vivência cotidiana e da busca por maneiras de enfrentar os desafios trazidos pela perda da visão que nasceu o Visionauta, lançado inicialmente para Android, no início de 2026, e posteriormente para iOS, em julho do mesmo ano. Desenvolvido pelo programador e pesquisador Jonathan Santos, de 39 anos, o aplicativo reúne funcionalidades como leitura de textos, reconhecimento de cédulas, localização de objetos, descrição de ambientes e interação por voz, como uma conversa real – muitas delas disponíveis também sem conexão com a internet. Segundo ele, o propósito não é tornar essas tarefas tecnicamente impressionantes, mas ampliar a autonomia de quem as realiza, reduzindo a necessidade de esperar pela disponibilidade de outra pessoa para pedir ajuda ou se sentir constrangido por depender de alguém. “É a diferença entre ser informado sobre o valor de uma nota e conseguir identificá-lo antes de pagar por algo; encontrar o celular dentro de casa; saber o que está escrito em um documento ou identificar uma embalagem em uma prateleira. Gosto de fazer as coisas sozinho. Gosto de cooperação, mas odeio dependência”, salienta.

Além de estar disponível em 40 idiomas, outro diferencial do Visionauta está na inteligência artificial, que compreende a interação como uma conversa real, e não apenas como uma descrição de imagem. Em uma situação cotidiana, por exemplo, a pessoa pode perguntar o que há em determinado local, depois questionar o que está escrito em uma placa, pedir o preço de um produto e, em seguida, perguntar se há alguém na fila. A interação acompanha a necessidade daquele momento.

Essa característica também procura enfrentar uma limitação comum das soluções baseadas em inteligência artificial: descrever aquilo que aparece na imagem não significa necessariamente identificar o que é relevante para a pessoa cega. “Uma IA pode informar a cor das paredes ou o estilo dos móveis de uma sala, enquanto a informação realmente importante pode ser a existência de um degrau, a localização de uma porta ou a presença de alguém no caminho. Por isso, o Visionauta busca colocar o usuário no comando da interação”, explica o desenvolvedor.

Acessibilidade com protagonismo

Para Jonathan, existe uma diferença importante entre desenvolver uma tecnologia que possui recursos de acessibilidade e criar desde o início uma tecnologia pensando na pessoa com deficiência. Essa perspectiva está diretamente ligada à própria experiência de Jonathan como usuário. Por utilizar o aplicativo diariamente, ele acompanha de perto suas funcionalidades e identifica, na prática, o que ainda pode ser aperfeiçoado. Essa construção também conta com a participação da comunidade: usuários enviam sugestões, críticas e relatos diretamente por e-mail, contribuindo para o aprimoramento contínuo do Visionauta.

Segundo Jonathan, algumas funcionalidades surgiram justamente dessas trocas com os usuários. É o caso de melhorias relacionadas à leitura de partituras, recurso que também nasceu de uma necessidade pessoal. Músico amador, ele criou a funcionalidade inicialmente para facilitar o acesso às partituras que utiliza para tocar guitarra e violão.

“Eu toco mal guitarra e violão desde os 14 anos de idade — e sigo tocando muito mal até hoje. É engraçado como isso se dá, e não estou exagerando: quem me conhece sabe. É como se eu fosse uma completa negação para isso, mas estivesse insistindo há 25 anos”, brinca Jonathan. Fã de jazz e rock progressivo, ele destaca entre suas referências Jean-Luc Ponty. “Sou um grande fanático pelo Jean-Luc Ponty, violinista francês que levou o violino elétrico para o jazz fusion e para o rock progressivo, e que tocou com gente como Frank Zappa e a Mahavishnu Orchestra”. 

Assim, de acordo com ele, a participação de pessoas com deficiência no desenvolvimento do Visionauta, portanto, vai além da etapa de testes, que tradicionalmente ocorre ao final do processo de aplicativos desenvolvidos por pessoas sem deficiência. Para Jonathan, suas experiências e perspectivas precisam estar presentes desde o início, inclusive no momento em que as decisões sobre a tecnologia são tomadas. “Um aplicativo de acessibilidade que não escuta os próprios usuários vira um exercício de imaginação — e imaginação, nessa área, erra muito”, afirma.

História de vida e os desafios diários com a perda progressiva da visão

A história do aplicativo, no entanto, começou muito antes de seu desenvolvimento. Ela se entrelaça à própria trajetória de Jonathan, marcada pela perda progressiva da visão e por uma relação de décadas com a tecnologia – o interesse pela programação surgiu aos 9 anos, quando, de forma autodidata, começou a criar seus próprios jogos. 

Estudante de escolas públicas na periferia de São Bernardo do Campo (SP) e, posteriormente, de Diadema (SP), Jonathan começou, aos 16 anos, a perceber que sua visão estava mudando de forma significativa. Até então, acreditava que as dificuldades para enxergar eram consequência apenas da miopia e do astigmatismo. A dificuldade para copiar o conteúdo do quadro, por exemplo, era atribuída a esses problemas de visão. Sem compreender ainda o que, de fato, estava acontecendo, Jonathan acabou sendo avaliado a partir do que conseguia ou não realizar em sala de aula, e não da barreira visual que enfrentava. Nesse contexto, foi visto como um aluno de baixo desempenho e, em alguns momentos, até como “problemático”. 

A busca por respostas, porém, o levou a um primeiro diagnóstico: doença de Stargardt. Foi com essa explicação que ele seguiu a vida durante muitos anos, enquanto a perda visual avançava e transformava, pouco a pouco, sua relação com o mundo ao redor.

A resposta definitiva só veio cerca de duas décadas depois. Há dois anos, um sequenciamento genético realizado na Irlanda pelo irmão de Jonathan, que também apresenta a condição, revelou que o diagnóstico anterior não correspondia à causa de sua perda visual. O exame identificou uma retinose pigmentar associada ao gene RP26.

A diferença entre as duas condições ajuda a compreender a trajetória vivida por Jonathan. Enquanto a doença de Stargardt costuma comprometer inicialmente a região central da retina, responsável pela visão central; a retinose pigmentar geralmente começa afetando a visão periférica e pode avançar de forma progressiva. Mais do que dar um nome àquilo que ele vivenciava, a descoberta trouxe uma nova compreensão sobre sua própria história — e ajudou a explicar as particularidades de uma perda visual que o acompanha desde a adolescência.

“Se eu tivesse recebido o diagnóstico preciso lá atrás, talvez isso tivesse me ajudado a entender melhor o horizonte de degeneração que se desenharia ao longo da minha vida. Saber o que vem pela frente tem algum valor, sobretudo emocional. Mas, sendo franco: não há tratamento. E, por isso, eu não vejo o que teria sido tão diferente na prática. Os desafios foram se impondo e, de algum modo, eu fui me adaptando — como continuo me adaptando até hoje. Foi assim a vida inteira, com nome certo ou com nome errado do diagnóstico”, diz.

Por volta dos 18 e 19 anos, ele já trabalhava como desenvolvedor de software, profissão que exerceu a vida toda dali em diante. “O começo foi autodidata. Depois fui me especializando, com cursos específicos para ferramentas ou linguagens determinadas. Mas, de um modo geral, acredito ter sido bastante autônomo no sentido do meu aprendizado em TI”, explica.

Anos mais tarde, essa familiaridade com a tecnologia ganharia um novo sentido: diante dos desafios impostos pela perda da visão, o conhecimento que havia começado como uma curiosidade na infância se transformaria em uma ferramenta para ampliar sua própria autonomia e, posteriormente, na criação do Visionauta. 

Da perda da visão à criação de soluções próprias

Foi diante dos desafios que surgiam no próprio cotidiano, que Jonathan começou a transformar necessidade em criação. À medida que a visão diminuía, em vez de esperar que uma solução aparecesse, ele passou a desenvolver as próprias ferramentas para continuar fazendo tudo o que precisava no dia a dia  – e queria – fazer com autonomia.

Dessa forma, nasceram seus primeiros aplicativos: um capaz de ler textos em voz alta, outro voltado à descrição de imagens e recursos para reconhecimento de cédulas de dinheiro, entre outras soluções pensadas a partir de situações concretas de sua rotina. Cada ferramenta respondia a uma necessidade específica e, naquele momento, funcionava de maneira independente.

A jornada acadêmica: quando os desafios apontam novos caminhos 

A trajetória acadêmica de Jonathan também reflete esse encontro entre diferentes áreas do conhecimento pelas quais o jovem caminhou, que foram essenciais para conquistar os seus sonhos: sua primeira formação foi em Licenciatura em Letras pela Universidade Metodista de São Paulo, cursada entre 2006 e 2015. A escolha, porém, não significava um afastamento de seu interesse pela tecnologia: naquele momento, entretanto, Letras era uma das opções que conseguia financeiramente viabilizar.

Enquanto cursava a graduação, Jonathan também buscou ampliar suas possibilidades de ingresso na área de tecnologia. Por volta dos 19 ou 20 anos, frequentou um cursinho popular aos fins de semana e, posteriormente, conseguiu estudar em uma instituição particular. O esforço abriu caminho para ingressar no Bacharelado em Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do ABC (UFABC), por volta dos 22 ou 23 anos. O curso, no entanto, não chegou a ser concluído pela dificuldade de conciliar trabalho, estudos e deslocamento. Na época, a rotina de Jonathan exigia longos deslocamentos: depois do expediente na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, ele atravessava a cidade para chegar às aulas noturnas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. 

A experiência se repetiu em uma nova tentativa, desta vez na Licenciatura Plena em Ciências da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Diadema. A escolha levava em conta justamente a possibilidade de estudar na mesma cidade em que morava. Na prática, porém, o deslocamento entre o trabalho, na capital, e a universidade continuava inviável. Vieram outras tentativas, sempre atravessadas pela mesma dificuldade de conciliar a necessidade de trabalhar com a rotina acadêmica. “As dificuldades no deslocamento já eram decorrentes da progressão da deficiência visual: se eu enxergasse bem, certamente teria uma moto, atravessaria a cidade com alguma velocidade e chegaria a tempo para a aula. Como eu não tinha essa opção, acabava dependendo de transporte público para o deslocamento — e não era um só: eram vários, um atrás do outro. Aí não dava”, explica.

Com uma resiliência admirável, Jonathan continuou buscando caminhos para transformar sua afinidade com a tecnologia em formação acadêmica. Entre 2018 e 2020, cursou o Mestrado em Engenharia de Computação na Universidade Presbiteriana Mackenzie, pelo programa de Engenharia Elétrica e Computação. A formação anterior em Letras acabou contribuindo para essa mudança. Por meio de uma proposta interdisciplinar, o jovem encontrou a oportunidade de, finalmente, ingressar academicamente na engenharia e na tecnologia.

O caminho acadêmico seguiu avançando. Em 2022, iniciou o Doutorado em Engenharia Elétrica e Computação, também no Mackenzie, formação em andamento. Assim, uma paixão que começou ainda na infância foi ganhando novos contornos ao longo dos anos. Todo esse percurso acadêmico foi construído enquanto Jonathan já enfrentava uma visão bastante comprometida. Naquele período, ele ainda não utilizava bengala e encontrava dificuldades para ler textos impressos com agilidade. Para estudar, recorria principalmente ao computador, configurado com alto contraste para facilitar a leitura.

“Hoje eu sou legalmente cego. Mas amo o meu resíduo visual e tento extrair o máximo dele o tempo todo. É pouco e é irregular. Só que, na minha cabeça, eu enxergo um monte — quem discorda são o meu retinologista e as pessoas que convivem comigo”, brinca. A fala traduz o jeito irreverente e bem-humorado com que Jonathan lida com a perda da visão e com os desafios que ela traz para o cotidiano. 

Como nasceu o aplicativo Visionauta

Durante o mestrado é que a ideia do aplicativo começou a se concretizar: “Em uma das disciplinas do professor Nizam Omar — a quem faço questão de citar sempre que falo do aplicativo — e também estimulado pelo meu orientador de mestrado, o Prof. Dr. Ismar Frango, organizei em um só aplicativo as soluções soltas que já vinha desenvolvendo. Na época, o nomeei de Eyefy”, explica.

Porém, diante de outras prioridades da vida, Jonathan acabou deixando o aplicativo sem atualizações por alguns anos. Foi durante o mestrado, ao entrar em contato com novas tecnologias e ampliar seus conhecimentos, com o apoio dos professores já citados, que decidiu retomar o projeto. O retorno também marcou uma mudança importante na própria arquitetura do aplicativo. Na primeira versão do app, a funcionalidade de conversa em tempo real utilizava uma solução de terceiros, mas as limitações técnicas e, principalmente, o alto custo dificultavam a expansão do recurso e inviabilizavam sua oferta gratuita aos usuários.

A partir desse momento, Jonathan, com apoio dos professores, passou a desenvolver sua própria tecnologia para essa finalidade. “Um diferencial forte é termos construído a própria tecnologia. Temos uma arquitetura chamada T2 Live e T2 Pro, um modelo de IA específico para conversas de vídeo e áudio em tempo real. Na primeira versão do Visionauta, usávamos uma solução de caixinha do Google para isso. O resultado era brando: era legal, mas não permitia crescer nem adicionar novas funcionalidades do jeito que eu gostaria. E o preço era um impeditivo completo — não poderíamos oferecer acesso gratuito aos usuários usando um recurso tão caro”.

Foi nesse processo de reconstrução que o aplicativo ganhou um novo nome: Visionauta, passando a incorporar recursos mais modernos. Assim, a funcionalidade de conversa em tempo real foi aprimorada, tornando-se a preferida do desenvolvedor: “O usuário conversa com um assistente virtual que pode ver o mundo por ele”.

Segundo ele, o recurso tem o objetivo de substituir uma interação baseada em comandos e respostas fechadas por uma conversa contínua. O usuário pode perguntar o que está à sua frente, pedir que um texto seja lido, solicitar mais detalhes ou mudar o foco da interação conforme a situação. “Quem sabe é a pessoa cega. O papel da tecnologia é não atrapalhá-la de perguntar”, salienta o desenvolvedor.

E, essa autonomia proposta pelo aplicativo pode aparecer em pequenos momentos: preencher ou conferir um documento, encontrar um objeto, identificar uma embalagem ou descobrir o que está escrito antes de assinar um papel. São tarefas que, segundo ele, quando acumuladas, podem transformar a rotina de uma pessoa com deficiência visual em um grande desafio. O aplicativo busca justamente diminuir esse custo cotidiano — seja em tempo, constrangimento ou necessidade de companhia.

Privacidade como parte da acessibilidade

Jonathan também buscou incorporar ao desenvolvimento do Visionauta uma preocupação essencial para qualquer tecnologia que utiliza câmera, áudio e inteligência artificial: a privacidade dos usuários.

“O uso de câmera, áudio e inteligência artificial também levanta questões relacionadas à privacidade. No Visionauta, a proposta é coletar o mínimo possível. O aplicativo pode ser utilizado sem cadastro, e funções como leitura de textos, reconhecimento de cédulas, busca de objetos e lupa funcionam diretamente no aparelho. Para usuários anônimos, os dados utilizados para gerar uma resposta são processados de forma efêmera e não permanecem armazenados”, explica.

Ele explica que, ao criar uma conta, o usuário também pode utilizar o recurso de memória do assistente, que permite armazenar determinadas informações para tornar as interações mais personalizadas. Ainda assim, algumas camadas de proteção são mantidas. Jonathan ressalta que o compartilhamento de tela não é armazenado, mesmo para usuários cadastrados, justamente porque a tela pode exibir informações sensíveis, como senhas, dados bancários e mensagens privadas. 

Do celular aos óculos inteligentes

Com uma mente inquieta e sempre voltada para os próximos passos, Jonathan já pensa em novas formas de evoluir o Visionauta, especialmente para tornar seu uso mais seguro e natural em ambientes públicos. Para ele, o celular é apenas uma etapa no desenvolvimento das tecnologias assistivas.

“Embora seja uma ferramenta útil, o celular exige que a pessoa retire o aparelho do bolso, aponte a câmera e permaneça com o dispositivo em mãos. Por isso, acredito que o próximo passo sejam os óculos inteligentes. O Visionauta já possui uma integração construída e testada com os óculos Ray-Ban da Meta, embora sua disponibilização dependa da liberação do programa de terceiros da empresa. Ao mesmo tempo, estou estudando alternativas mais acessíveis, para que a tecnologia não fique limitada a equipamentos de alto custo”, destaca.

Além disso, o desenvolvedor já tem no radar outros próximos passos do Visionauta. Entre eles está a criação de um assistente mais discreto, contínuo e acessível, capaz de acompanhar a pessoa ao longo do dia, além do desenvolvimento de recursos de navegação em ambientes como shoppings, estações de metrô e ruas. A proposta não é apenas identificar obstáculos, mas oferecer informações de orientação de forma útil e segura.

Para Jonathan, são justamente esses contextos que podem levar uma pessoa cega a precisar recorrer constantemente a outras pessoas em busca de informações sobre o ambiente. A tecnologia, nesse sentido, pode contribuir para ampliar sua autonomia e reduzir essa dependência.

Ao mesmo tempo, Jonathan mantém uma postura cautelosa em relação às possibilidades da tecnologia. Para ele, a Tecnologia Assistiva deve ser compreendida como um recurso de apoio à pessoa, e não como substituta de sua autonomia e capacidade de decisão.

Tecnologia assistiva para todos

Atualmente, o Visionauta é gratuito e oferece suas principais funcionalidades dentro de cotas diárias, que são renovadas regularmente. Parte dos recursos também pode ser utilizada offline, ampliando as possibilidades de uso em diferentes situações. Para quem deseja recursos adicionais, há ainda a assinatura opcional Visionauta Plus, que inclui benefícios como maior tempo de uso da funcionalidade Conversa em Tempo Real. 

A escolha está relacionada ao próprio desafio de manter uma tecnologia baseada em IA: cada minuto de conversa em tempo real gera custos de servidor. Jonathan explica que é atualmente o principal financiador do projeto e que os assinantes ajudam a sustentar também o acesso gratuito de quem não pode pagar.

Para ele, a inteligência artificial pode representar uma mudança de direção para a tecnologia assistiva. Em vez de exigir que a pessoa aprenda a utilizar uma ferramenta específica para cada necessidade, a tecnologia pode permitir que o usuário simplesmente diga o que precisa, em linguagem natural, e o sistema encontre uma maneira de ajudar.

Essa transformação pode levar a tecnologia assistiva para além de aplicativos específicos. Jonathan imagina um futuro em que eletrodomésticos, eletrônicos e outros objetos já tenham inteligência integrada e possam ser acionados naturalmente por meio de uma conversa. “Quando isso acontecer, a tecnologia assistiva deixa de ser um produto à parte e vira um modo único como todo mundo a utiliza”, afirma.

Quando a necessidade vira inovação

A trajetória do Visionauta mostra que a inovação também pode nascer de experiências cotidianas, de demandas que muitas vezes passam despercebidas e de perguntas que surgem justamente quando uma barreira se apresenta.

Para Jonathan, desenvolver tecnologia a partir da própria experiência significa olhar para essas situações e perguntar: o que me incomodou hoje? O que precisei adiar porque dependia de ajuda? O que poderia fazer de outra maneira, com mais autonomia?

Essa perspectiva também transforma o lugar ocupado pela pessoa com deficiência no desenvolvimento tecnológico: de simples usuária ou beneficiária, ela passa a ser criadora, pesquisadora e protagonista das soluções que fazem sentido para sua própria vida e para a de outras pessoas.

E, para quem ainda encontra desafios semelhantes às que fizeram parte de sua trajetória, Jonathan deixa uma mensagem que traduz sua forma de enxergar a tecnologia e a própria vida: “O impossível é só o que ainda não foi feito – esperando por você ir lá e fazer”.

Conheça o aplicativo Visionauta: https://www.tensorial.com.br/visionauta