
A experiência do 31º Congresso SOGESP mostrou como diferentes tecnologias de simulação podem apoiar o desenvolvimento de habilidades, do treinamento do parto às práticas de Ginecologia
A formação em Ginecologia e Obstetrícia exige mais do que conhecimento teórico. Algumas habilidades precisam ser praticadas repetidamente para que o profissional desenvolva segurança, precisão e capacidade de tomada de decisão diante de diferentes situações clínicas.
Essa necessidade esteve presente no 31º Congresso SOGESP, realizado de 20 a 22 de agosto, em São Paulo. Entre os destaques da programação estiveram as atividades práticas e estações hands-on, aproximando os participantes de situações e procedimentos que fazem parte da rotina da especialidade.
Durante essas atividades, diferentes simuladores da Civiam foram utilizados, permitindo aos participantes experimentar tecnologias com diferentes níveis de fidelidade e propostas educacionais.
A experiência também mostrou que falar em simulação não significa falar de uma única tecnologia. Dependendo do objetivo de aprendizagem, o treinamento pode envolver desde a prática de habilidades específicas até a reprodução de cenários clínicos complexos, com respostas fisiológicas e interação entre diferentes integrantes da equipe.
Simulação de alta fidelidade para situações complexas
Entre os equipamentos utilizados no congresso, a Lucina, simulador obstétrico de alta fidelidade da Elevate Healthcare, foi novamente um dos grandes destaques.

O realismo é justamente um dos principais diferenciais da Lucina. O simulador reproduz a fisiologia materna e fetal de maneira integrada e permite que diferentes intervenções realizadas durante o treinamento produzam respostas correspondentes no cenário simulado.
Isso possibilita trabalhar não apenas a execução de uma técnica, mas também a avaliação clínica e a tomada de decisão.
A Lucina pode ser utilizada em treinamentos que envolvem trabalho de parto, parto vaginal, parto pélvico, distocia de ombro, hemorragia pós-parto e outras situações obstétricas. O simulador também permite trabalhar diferentes posições e intervenções, criando cenários nos quais o quadro clínico pode evoluir de acordo com as ações da equipe.
Em um ambiente de alta fidelidade, o profissional precisa interpretar os sinais apresentados, decidir como agir e observar as consequências de suas escolhas. Isso aproxima o treinamento da complexidade encontrada na prática clínica.
Para uma especialidade em que determinadas emergências são pouco frequentes, mas exigem respostas rápidas e coordenadas, essa possibilidade tem um valor particularmente importante.
Diferentes níveis de fidelidade para diferentes objetivos de treinamento
A experiência com diferentes simuladores também ajuda a compreender um ponto importante da educação baseada em simulação: mais fidelidade não significa necessariamente melhor treinamento para todos os objetivos.
O nível de fidelidade deve estar relacionado à competência que se pretende desenvolver. Enquanto simuladores de alta fidelidade, como a Lucina, permitem reproduzir cenários clínicos mais complexos e trabalhar a integração entre diferentes respostas fisiológicas, modelos de média fidelidade podem ser utilizados para a prática e repetição de habilidades específicas.
A Sofia é um exemplo dessa segunda abordagem, oferecendo recursos para o treinamento de diferentes situações relacionadas ao parto e ao atendimento materno e neonatal.

Essa complementaridade permite estruturar programas de treinamento nos quais diferentes tecnologias são utilizadas de acordo com as competências que se pretende desenvolver, sem que o nível de fidelidade seja tratado como um indicador isolado de qualidade.
Do parto às habilidades específicas
Outro aspecto importante da simulação é a possibilidade de trabalhar competências específicas de maneira isolada antes de integrá-las em cenários mais complexos.

O PROMPT Flex é um exemplo de tecnologia voltada ao desenvolvimento de habilidades relacionadas ao parto. Seu design permite trabalhar diferentes situações, incluindo parto normal, parto pélvico, parto instrumental e distocia de ombro.
Um de seus diferenciais é a possibilidade de utilizar recursos de realidade aumentada, por meio da tecnologia SimBase AR. O recurso acrescenta uma camada digital ao treinamento físico, permitindo visualizar estruturas anatômicas e procedimentos em um ambiente tridimensional.
Essa combinação entre o modelo físico e a visualização digital ajuda a aproximar duas dimensões importantes do aprendizado: o que o profissional faz com as mãos e o que precisa compreender anatomicamente para realizar aquela ação.
Outro exemplo de treinamento de uma habilidade obstétrica específica foi a Versão Cefálica Externa (VCE), recurso que permite praticar a manobra utilizada para tentar transformar a apresentação pélvica do feto em apresentação cefálica, quando clinicamente indicada.

A possibilidade de treinar a técnica em um modelo específico permite que o profissional desenvolva a percepção das estruturas, a aplicação da força e a sequência da manobra antes de realizar o procedimento em uma paciente. É um exemplo de como a simulação pode ser utilizada para isolar uma competência específica e permitir sua prática repetida.
A simulação também se estende à Ginecologia
Embora o parto seja uma das aplicações mais conhecidas da simulação obstétrica, as necessidades de treinamento da especialidade vão muito além dele.

O VirtaMed GynoS, utilizado nas atividades práticas, amplia essa experiência para procedimentos ginecológicos. A plataforma combina realidade mista, gráficos de alta qualidade, instrumentos reais e feedback tátil para criar um ambiente de treinamento controlado.
Entre as possibilidades estão módulos voltados a procedimentos como histeroscopia, inserção de DIU, transferência de embriões e inseminação intrauterina, além de diferentes níveis de complexidade.
Nesse tipo de treinamento, o objetivo é desenvolver habilidades psicomotoras, percepção espacial e familiaridade com instrumentos e procedimentos antes da realização em pacientes.
A tecnologia também permite que o treinamento seja progressivo: o profissional pode começar por competências fundamentais e avançar para situações mais complexas à medida que desenvolve proficiência.
O valor está na combinação
A presença de diferentes simuladores em uma mesma experiência de treinamento evidencia uma característica importante da educação baseada em simulação: não existe uma única tecnologia capaz de reproduzir todas as necessidades de aprendizagem de uma especialidade.
Um simulador de alta fidelidade, como a Lucina, pode ser utilizado para cenários complexos que exigem integração entre fisiologia, avaliação clínica e tomada de decisão.
Simuladores de média fidelidade também podem oferecer um ambiente adequado para a repetição e consolidação de habilidades específicas relacionadas ao parto e aos cuidados maternos e neonatais.
O PROMPT Flex permite concentrar o treinamento na mecânica do parto e em diferentes manobras, acrescentando recursos de realidade aumentada para ampliar a compreensão anatômica. Já a VCE possibilita concentrar o treinamento em uma manobra obstétrica específica.
Uma plataforma como o VirtaMed GynoS, por sua vez, cria um ambiente específico para o desenvolvimento de habilidades em procedimentos ginecológicos.
O equipamento, portanto, deve estar a serviço do objetivo educacional, e não o contrário.
Essa abordagem permite construir programas de treinamento mais estruturados, nos quais diferentes tecnologias podem ser utilizadas em momentos distintos do processo de aprendizagem.
Quando o conhecimento precisa virar habilidade
Uma das principais diferenças entre assistir a uma aula e participar de uma atividade de simulação está na necessidade de agir.
Em um cenário simulado, o profissional precisa interpretar informações, tomar decisões e executar procedimentos. Pode cometer erros, receber feedback, repetir a atividade e testar diferentes estratégias sem colocar uma paciente real em risco.
Esse processo é especialmente relevante em situações que exigem resposta rápida e trabalho coordenado entre diferentes profissionais.
No caso da Obstetrícia, isso pode significar reconhecer uma alteração na evolução do parto, identificar uma emergência, realizar uma manobra ou decidir pela intervenção adequada.
Na Ginecologia, pode envolver desenvolver precisão e coordenação para executar um procedimento, familiarizar-se com equipamentos ou interpretar diferentes achados.
A experiência prática proporcionada pelo SOGESP reforça justamente essa conexão entre conhecimento e aplicação: levar o conteúdo aprendido para uma situação em que o participante precisa efetivamente executar uma ação.
Da experiência em congresso para a formação contínua
O uso de simuladores em congressos e eventos científicos é uma forma de aproximar profissionais das novas tecnologias e metodologias de ensino. Mas o potencial da simulação vai muito além dessas experiências pontuais.
As mesmas tecnologias já fazem parte de programas estruturados de graduação, residência médica, educação continuada, capacitação de equipes e avaliação de competências.
Nesse contexto, a simulação deixa de ser apenas uma experiência prática complementar e passa a integrar uma estratégia contínua de desenvolvimento profissional.
A experiência do SOGESP mostrou, na prática, como diferentes tecnologias podem trabalhar juntas para atender diferentes necessidades de aprendizagem.
Mais do que reproduzir procedimentos, a simulação permite praticar, repetir, receber feedback e desenvolver confiança antes que aquela habilidade seja necessária diante de uma paciente real.
E essa é uma das principais contribuições da simulação para a Ginecologia e Obstetrícia: transformar conhecimento em competência prática, de forma estruturada, mensurável e segura.
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