Terapia intensiva interdisciplinar e com muitos estímulos é a aposta da Intertherapy

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diversas fotos de atendimentos da clínica Intertherapy

O sonho de atender pacientes com uma abordagem diferenciada de terapia intensiva e neurohabilitação, aliada à necessidade de uma equipe interdisciplinar e em uma cidade estratégica, em que a demanda para pacientes com questões neurológicas e diversos tipos de deficiência era grande, foi a motivação da fisioterapeuta Tatiane Tedeschi Roque a montar a Intertherapy – Neurohabilitação Intensiva, em Valinhos, no interior de São Paulo. 

Inaugurada em janeiro de 2019, a clínica tem como foco crianças atípicas com desordens neurológicas e conta com a expertise de mais de 12 anos da fundadora na temática. “Dessa forma, para abrir a clínica, busquei parceria com profissionais da área, como fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, educadores físicos e psicólogos que, como eu, têm a visão da interdisciplinaridade do atendimento neuropediátrico para que em parceria com a família possamos trabalhar juntos em cima de um objetivo em comum, porém cada um com ênfase em sua especialidade, com muitos estímulos para potencializar o desenvolvimento do paciente. Por isso, todos os profissionais que atuam na Intertherapy trazem o conceito em que a continuidade e a repetição com intensidade fazem toda a diferença no tratamento”, diz a especialista.

“Essa proposta da Tatiane, de agregar diversas terapias em uma sessão é um diferencial muito grande, porque percebi muitas melhoras no desenvolvimento motor da Elis, desde que ela é paciente da clínica, desde maio de 2019. Mas os resultados vão muito além disso, eu percebo a minha filha emocionalmente mais segura, porque as profissionais promovem o que a criança gosta, com autonomia. Além disso, a clínica faz muitas atividades que trazem para a criança um sentimento de pertencimento, acolhimento e empoderamento e tudo isso, com certeza, contribuem para que a Elis vá para as terapias com tranquilidade e muita alegria. Com certeza o trabalho e o ambiente da Intertherapy contribuem muito para que ela seja uma criança extremamente feliz”, diz a mamãe da Elis, 8 anos, Ana Paula de Salles Pupo. 

No nome escolhido da clínica há a palavra ‘Thera’ que, além de originar da palavra therapy, do idioma inglês que significa terapia, também representa uma das principais terapias intensivas da clínica: o Therasuit, um protocolo inovador de terapia, criado por um casal americano de fisioterapeutas e pais de uma criança com paralisia cerebral, Izabela e Richard Koscielny, que através de estudos e práticas atuais da neurociência, fisiologia do exercício, biomecânica, neurologia e terapias manuais, desenvolveu o método, visando a independência funcional dos pacientes neurologicamente acometidos. De acordo com Tatiane, o Therasuit demanda recursos específicos para a sua aplicação, como infraestrutura, roupa especial para o paciente, entre outros. “Essa é uma terapia intensiva, mais voltada para a reabilitação motora, mas aqui na Intertherapy trazemos a visão interdisciplinar com a fonoaudióloga, terapeuta ocupacional, psicopedagoga e psicóloga, que com suas especialidades técnicas também conseguem contribuir e muito para a realização da terapia integrativa e abordagem com reflexos primitivos. Ou seja, toda a equipe atende e verifica como cada área pode contribuir para que o objetivo com a terapia seja atingido com o paciente”, explica.

Arthur, 6 anos, é paciente da Intertherapy há três meses e faz sessões do método. “É voltado para parte motora do Arthur e foi uma surpresa para nós, pois o intensivo de Therasuit na Intertherapy tem um grande e importantíssimo diferencial, que é feito com as fisioterapeutas e junto seguem os demais acompanhamentos com os profissionais de outras áreas. É um trabalho lindo, sério, cheio de carinho e respeito com as crianças e familiares. Sou muito grata de ter e dar essa oportunidade ao meu filho e de aprendermos e evoluirmos juntos!”, elogia a mamãe Mirian de Sales. De acordo com ela, outro aprendizado proporcionado pela Intertherapy tem sido em relação à Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA): “Com a descoberta da Intertherapy na nossa vida, finalmente estamos aprendendo juntos como introduzir a comunicação alternativa em nossa vida: a cada pergunta que fazemos para o Arthur, ele consegue responder, por exemplo, que ele quer um hambúrguer ou dizer que está bravo porque está cansado. Ou ainda chegar na casa da vovó e falar para ela que quer comer bife! Ele poder se expressar nos enche de orgulho, de felicidade, de força para continuar trilhando esse caminho maravilhoso, que é dar voz ao meu filho”, diz.

Além do Therasuit, a clínica oferece outras terapias de estímulo, como os tratamentos intensivos com ETCC (Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua Não Invasiva), que utiliza uma corrente elétrica de baixa intensidade e não invasiva direto nas áreas cerebrais para potencializar a função das áreas cerebrais motoras, sensoriais e cognitivas; TCI (Terapia de Contensão Induzida), que visa intensificar o uso funcional dos membros superiores e criar novo mapeamento cerebral para otimizar a função e participação dos mesmos nos movimentos, CSA (Comunicação Suplementar Alternativa) com o uso de recursos diversos e metodologias específicas com PECS, PODD, Plushand, rastreador visual, entre outros, para viabilizar a comunicação através de diferentes vias; AIMF (técnica de liberação miofascial para o ganho de mobilidade, alongamento e movimento); IS (Integração Sensorial – que atua em todos os sistemas sensoriais do corpo humano, atuando sobre a forma como o indivíduo percebe o mundo à sua volta – com toque, olhar, movimentos do corpo, cheiro, texturas na boca, entre outros), RV (Realidade Virtual, onde são utilizados jogos de videogame e outros desenvolvidos pela USP, com capacidade de reconhecimento dos movimentos e reforço do feedback visual e motor durante os estímulos), entre outras.

Além da intensidade da terapia, Tatiane ressalta que um dos diferenciais da Intertherapy é submeter o paciente ao máximo de estímulos para potencializar o seu desenvolvimento, uma vez que as disfunções neurológicas envolvem conexões cerebrais diversas e que a prática funcional efetiva depende desta interatividade: “Uma criança com Síndrome de Down, por exemplo, que muitas vezes têm dificuldade motora da fala, apresenta um atraso motor como um todo. Então para esse tipo de paciente temos feito treinos que associam estímulos motores em esteira, ao mesmo tempo em que usamos um jogo em um recurso de alta tecnologia, como o Tobii Dynavox, para que o paciente consiga dupla tarefa – que ele consiga andar na esteira, mantendo um ritmo de fala e, ao mesmo tempo, tenha coordenação visual, foco atencional, raciocínio para responder a esses estímulos de forma simultânea. O intuito é bombardear esse cérebro com vários estímulos ao mesmo tempo, a fim de transpor para o ambiente terapêutico as situações de forma mais próxima à vida real. Dessa forma, acabamos agregando mais estímulos a esse paciente, pois passamos a notar que os resultados começaram a surgir rapidamente em ambas as áreas, tanto motora, quanto no desenvolvimento de fala. Este é um tipo de atendimento realizado em conjunto pelas duas áreas: fonoaudiologia e fisioterapia”, explica.

E essa será a temática da oficina que a Intertherapy ministrará em uma das ações on-line do “Mês da CAA Civiam” no dia 29/10, às 13h: “Trabalhando dupla tarefa nas funções motoras: CSA associada ao treino locomotor em pacientes com desordens neurológicas”

A clínica conta com uma equipe com cinco fisioterapeutas, dois fonoaudiólogos, quatro terapeutas ocupacionais, uma psicopedagoga, duas psicólogas e uma educadora física e psicomotricista. Atende o público infantil e adulto e acredita que o mês de Outubro é todo especial não apenas por ser o mês da conscientização da CAA, mas por ser o mês das crianças, além da prevenção do câncer de mama e também considerado o mês da Paralisia Cerebral (pois no dia 6/10 é comemorado o Dia Mundial da Paralisia Cerebral).

Em relação especificamente à conscientização da Comunicação Aumentativa e Alternativa, Marina Tedeschi, uma das fonoaudiólogas da Intertherapy, diz: “O quanto uma família participativa é importante na Comunicação Alternativa e ajuda no desenvolvimento de uma criança não verbal, porque não adianta a criança só se comunicar com a terapeuta, com quem ela permanece uma ou duas horas em sessão, sendo que com a família ela está 23 horas restantes do dia”. Tatiane complementa: “Outra questão é que, muitas vezes, a família desconhece o fato de que alguns recursos de tecnologia assistiva como os utilizados na CAA ou como recursos de locomoção como, por exemplo, cadeira de rodas, andadores, entre outros, podem atuar de forma alternativa à comunicação com a locomoção, participação e inclusão das crianças. A falta de informação traz o receio de que algumas funções como a fala ou a marcha possam ser inibidos através do uso destes recursos e nosso papel como equipe terapêutica é mostrar na prática que esse movimento é justamente o contrário. Com a atuação interdisciplinar, o acolhimento e a participação da família, pacientes e terapeutas, o caminho é muita mais simples do que imaginamos e assim podemos ver na realidade que a Comunicação Alternativa não é uma barreira, mas sim um importante recurso alternativo que ajudará ainda mais no desenvolvimento da criança”, esclarece.Tatiane ressalta ainda: “É por isso que aqui na clínica usamos a hashtag #vivaintensamente! porque é isso que queremos para os nossos pacientes: que por meio das nossas terapias, eles tenham uma vida intensa, não só de alegrias, mas que eles aprendam a enfrentar as barreiras, as dificuldades; que tenham autonomia, socialização e participação! Assim, fazemos um trabalho de socializar os pacientes uns com os outros e com a comunidade, para que eles possam colocar em prática o que treinamos em clínica e, assim, conviver em sociedade com intensidade para poderem ser o que quiserem!”.

*Tatiane Tedeschi Roque é Fisioterapeuta graduada há 13 anos; Gestora e diretora clínica da Intertherapy, em Valinhos/SP. Especialista em Fisioterapia Aplicada em Neurologia Infantil pela UNICAMP desde 2008; Em 2011, especializou-se no Método de Fisioterapia Intensiva Therasuit em Michigan/EUA. Ao longo dos anos de 2012 a 2019, realização de cursos de aperfeiçoamento nos Módulos Avançados níveis 1 e 2 do Método Therasuit, Especialização no Método de Fisioterapia Intensiva com Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua, 2020, atualmente mestranda pela USP.

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