PCS para adultos e crianças: saiba as diferenças a considerar na hora de montar uma prancha de comunicação

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no google
Google+
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no linkedin
LinkedIn
senhor usando prancha de comunicação em um tablet

As pranchas de comunicação são uma eficiente ferramenta de comunicação a pessoas com deficiências na fala, seja por conta de doenças, seja por sequelas causadas pela COVID-19, por um AVC (acidente vascular cerebral) ou qualquer outro motivo, entre tantas outras situações adversas. 

Utilizadas pela Comunicação Suplementar Alternativa (CSA)** no desenvolvimento da linguagem de pessoas com necessidades complexas de comunicação, as pranchas de comunicação são alternativas eficientes ao proporcionarem uma comunicação rápida a essas pessoas por meio dos PCS (Picture Communication Symbols – como são denominadas as figuras que podem compor as pranchas). No entanto, a escolha das figuras não é tão simples quanto parece. Pensando nisso, a fonoaudióloga Vianney Figueroa*, especialista da Tobii Dynavox para a América Latina, traz os pontos mais importantes a considerar em relação às pranchas de comunicação alternativa.

De acordo com a especialista, o primeiro ponto é entender que os PCS devem ser selecionados de acordo com a realidade dos pacientes com quem serão utilizados, como a faixa etária e, principalmente, o contexto em que será utilizado para, então, as figuras escolhidas estarem de acordo com o ambiente em que a pessoa está inserida.

“Antes de selecionar os pictogramas, é preciso levar em consideração se o paciente já tem ou teve algum contato com a CSA: uma criança pode já fazer uso dos pictogramas há 5 anos e atingir um vocabulário e manuseio amplo. Por outro lado, um adulto pode estar utilizando pela primeira vez a CSA devido à COVID ou a algum acidente que causou uma lesão cerebral e que demandará um tempo de adaptação em relação a essa nova realidade. Ou seja, as figuras deverão englobar esse processo de aceitação e entendimento de suas novas condições físicas e emocionais”, explica Vianney.

Segundo ela, analisado esse ponto inicial em relação à experiência do usuário com as pranchas de comunicação, o passo seguinte é considerar a idade. “Agora, verificamos a idade do usuário e consideramos aspectos de seus sistemas de comunicação alternativa, como, por exemplo, para uma criança será importante ter um sistema que inclua páginas de tópicos como jogar jogos, sala de aula, desenhos animados, entre outros. Já para um adulto, é preciso selecionar PCS que sejam mais adequados à sua rotina e aos seus interesses, como culinária, novelas, organização da casa, família, passatempos como jogos de cartas ou tricô, finanças, compras, entre outros. Ou, seja, assuntos que são provavelmente mais importantes e se aproximem da sua realidade no dia a dia”, esclarece a fonoaudióloga.

De acordo com a especialista, é importante se atentar também a detalhes da linguagem de cada idade, para que o paciente se sinta mais confortável: “Por exemplo, para manter uma conversa rápida do dia a dia, as crianças ou jovens podem responder à pergunta “como você está?” com um “legal”. Já o adulto responderá, provavelmente, com um “muito bem, obrigado”. Ou seja, essas pequenas diferenças devem ser consideradas para que o paciente se identifique com aquela comunicação e possa, assim, se comunicar de forma mais próxima do que normalmente ‘falaria’”, diz Vianney.

Segundo a especialista, além desses detalhes, o tipo de pictograma varia de acordo com a condição em que será usado. “Temos os pictogramas clássicos que são desenhos de linhas simples, sem muitos detalhes, muitas vezes representados por desenhos de palitos. Costumam ser amplamente utilizados por serem os mais conhecidos, mas às vezes não são a melhor opção porque não têm muitos detalhes e são desenhos que algumas pessoas acham muito infantis se usados por adultos. Por este motivo, no caso de uso com pacientes adultos, devem ser escolhidos outros tipos de pictogramas, como os desenhos com um pouco mais de detalhe na sua criação. Existem também os pictogramas em contexto que foram criados para adultos que tiveram algum dano neurológico e fornecem informações sobre o contexto em que uma situação ocorre, por exemplo, se o pictograma é “caminhada”, o parque está desenhado atrás dele e há uma pessoa caminhando. Embora esses pictogramas no contexto tenham sido criados para dar suporte a adultos com deficiência neurológica, há momentos em que algumas crianças podem se beneficiar por ter mais informações contextuais na mesma imagem. De qualquer forma, o aconselhável é conhecer os tipos de pictogramas e avaliar a reação da pessoa ao vê-los: aquele que mais sustentar seu entendimento será o mais adequado para aquela pessoa”, orienta.

Por isso, de acordo com Vianney, para ter sucesso com a prancha de comunicação, é preciso ter em mente o objetivo que se quer alcançar: “Para mim como fonoaudióloga, o sucesso será sempre promover a comunicação das pessoas como eixo principal de seu desenvolvimento e bem-estar, sempre levando em consideração que todas as formas de comunicação são válidas, como fazer gestos, apontar, expressões faciais e, claro, o uso da CSA”.

Ela relata ainda a primeira vez que foi entregar um recurso de alta tecnologia, um controle ocular, e fez o primeiro treinamento para a família: “nunca vou esquecer aquele dia, foi o momento em que percebi e experimentei como a tecnologia muda vidas. A paciente era uma mulher de cerca de 55 anos de idade que, devido à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) só se comunicava com expressões faciais para Sim e Não. Ela entrou em uma cadeira de rodas para a consulta com o marido e neto, passamos a explicar qual a tecnologia e sua função. A princípio me deu a sensação de que não faria muita diferença na vida daquela paciente, mas quando ligamos o rastreador ocular e praticamos algumas vezes, todo o ambiente da sala mudou, a família estava muito atenta para ver um rastreador ocular funcionando pela primeira vez e a paciente também. Depois de mostrar a ela como usá-lo, deixamos que ela escrevesse o que quisesse e a primeira coisa que ela escreveu foi “estou muito feliz, obrigada”. Para mim foi muito emocionante ver que ela pôde se expressar, algo que não conseguia fazer por meses e a primeira coisa que disse é que estava feliz. Ou seja: a CSA atingiu seu objetivo”.

Vianney Figueroa

*Vianney Figueroa, Fonoaudióloga, Universidad de Chile, egresada de Especialidad en Trastornos de habla Lenguaje y Deglución en adultos, Especialista en entrenamiento de Tobii Dynavox América Latina y España.

**Nota: Há variações em relação à Comunicação Alternativa. Em algumas regiões, pesquisadores e profissionais utilizam CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada), em outras, o termo mais usado é CSA (Comunicação Suplementar Alternativa). Por isso, consideramos todas as variações corretas.

Posts Relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *