Férias, estímulos e diversão

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pra cego ver: foto da bancada de uma cozinha, onde vemos vários potes, ovos, uma forma de cupcakes com algumas forminhas coloridas e uma tijela onde uma menina de uns 5 anos está quebrando um ovo com a ajuda de sua mãe. Vemos também um tablet em cima do balcão, para onde a criança está olhando.  Mãe e filha são morenas, usam um avental xadrez e estão sorrindo.

No período de férias escolares, as crianças se ausentam não apenas das aulas, mas também das terapias e de outras atividades rotineiras, como sessões de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia, entre outras. Mas, como manter os estímulos em crianças com necessidades complexas de comunicação durante esse período?

“Nas férias é muito importante que as crianças ainda tenham estímulos e que venham seguidos de diversão. Afinal, a diversão facilita o aprendizado, principalmente no caso de crianças com necessidades complexas de comunicação”, explica a Terapeuta Ocupacional Dra Mariana Gurian Manzini*, Doutora em Educação Especial e docente do Departamento de Terapia Ocupacional da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos). 

Confira as dicas da especialista sobre como os pais podem estimular as crianças durante as férias escolares em casa ou em viagens, parques, praia ou shopping.

Em casa

“Vale lembrar que a nossa casa é o microssistema mais importante da criança, onde a família é que reconhece todas as necessidades e as potencialidades da criança, sejam motoras, comunicativas, sensoriais”, explica Mariana. De acordo com ela, os pais podem trabalhar com as atividades por meio de figuras que podem ser recortadas de revistas, jornais de supermercado ou retiradas da internet. Um exemplo de atividade é a mãe um brigadeiro fazer junto com a criança, utilizando os pictogramas da Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)**. “Então, a mãe fala os ingredientes que irá precisar, apontando para cada figura correspondente na prancha da comunicação”, explica.

Outra atividade que a especialista recomenda fazer em casa é que os pais estimulem a leitura de livros – o conto e o reconto de histórias. “Por exemplo, se os pais forem ler com a criança o livro dos Três Porquinhos, para estimular ainda mais a criança, seria interessante buscar na Internet a imagem dos Três Porquinhos e mostrar todos os personagens da obra, como os porquinhos e o Lobo Mau”

Mariana sugere ainda a música como estímulo para entreter os pequenos: “Os pais podem escolher uma música, por exemplo, a do Peixinho. Então, além de só escolher a música, utiliza o peixe como principal personagem para trabalhar as figuras e a palavra, fazendo as adaptações de forma simples”

Ela indica também os jogos como uma opção interessante para trabalhar a interação de toda a família, como os de tabuleiro: “nessa sugestão, trabalhar a questão de saber esperar como ‘agora é minha ou a sua vez’, utilizando as figuras pictográficas, é algo importante para trazer a noção à criança do tempo de cada um e do respeito ao outro”.

A especialista diz ainda que o brincar de ‘faz de conta’ também é uma atividade enriquecedora como atividade dentro de casa e que pode ser feita com o apoio dos pictogramas. “Trabalhar com faz de conta por meio das figuras, além de ajudar no vocabulário da criança, é uma atividade bastante rica, pois estimula a interação, a criatividade e todo um planejamento de ações”.

Mariana diz que outra atividade que pode ser trabalhada para estimular as crianças com necessidades complexas de comunicação é a parte da pintura: “a mãe pode pedir à criança para pintar ou fazer desenhos e a cada hora trabalhar determinada cor para ir modelando toda essa parte das cores e qual parte do desenho será pintada”

Atividades com estímulos sensoriais também são sugestões que estimulam o desenvolvimento infantil. Por meio da modelagem, a mãe pode brincar com o filho com areia, massa de modelar, bolha de sabão, jogar bexiga de água, entre outras brincadeiras.

Viagens

De acordo com Mariana, a mudança de ambiente no caso das viagens requer a utilização de figuras de comunicação para a previsibilidade de ações. “É importante mostrar para a criança para onde ela vai, indicando o deslocamento e o que ela vai fazer quando chegar. Ou seja, é importante para uma criança com necessidades complexas de comunicação mostrar toda a rotina, por meio de uma prancha de comunicação adequada e adaptada, que considere toda a temática do lugar. Por exemplo, se a família para vai para a praia, é importante incluir na prancha de comunicação os elementos utilizados no ambiente da praia, como guarda-sol, chinelo, biquíni, maiô, baldinho de areia, areia, sorvete, além dos passeios que a família já decidiu que fará na viagem”, detalha a especialista.

Shopping

“Devido ao shopping ser um ambiente fechado já com muitos estímulos, torna-se, muitas vezes, desafiador para crianças com necessidades complexas de comunicação. O que os pais podem fazer é optar por horários com menor quantidade de pessoas circulando e também evitar permanecer muito tempo no local.  Mas lembrando que, como as demais atividades fora de casa, é importante falar todo o roteiro antes para a criança, modelando por meio dos pictogramas e pontuando ao máximo as ações que acontecerão no shopping. Afinal, como já mencionado, a previsibilidade das ações é fator importante para evitar o estresse na criança e para que os pais consigam realizar no dia tudo o que estava programado para aquele ambiente”, explica a especialista.

Parques

Segundo Mariana, as atividades em parques são bastante benéficas às crianças. “Nestes ambientes, os pais podem modelar a cada atividade, como ir ao escorregador, ao balanço, brincar na areia, levar brinquedos e assim por diante”, orienta. 

Ela diz ainda que o brincar, interagir, compartilhar brinquedos com outras crianças e o ‘faz de conta’ ajudam bastante no desenvolvimento da criança com necessidades complexas de comunicação, além de tornar o ambiente mais divertido, mais proveitoso e cheio de estímulos. “Para o desenvolvimento sensorial, motor, comunicativo e cognitivo da criança, tais estímulos são muito importantes porque trazem a diversão enquanto a mantém ativa durante a ausência das terapias rotineiras”, explica.

Tempo adequado dos estímulos Quanto ao tempo mais adequado dos estímulos, a especialista recomenda que os pais observem os sinais da criança quanto ao interesse que ela demonstra em relação à atividade. “É importante não forçar a criança quando ela se desinteressar de dar continuidade a determinada atividade proposta, pois nas férias a diversão deve ser prioridade. É importante também que os pais façam atividades dirigidas e não dirigidas. Uma atividade dirigida, por exemplo, é propor uma pintura de algo específico, enquanto que uma atividade não dirigida seria ela desenhar sobre qualquer tema que ela quiser”, sugere.

pra cego ver: foto em close da Mariana - mulher jovem de cabelos castanhos claros, olhos azuis, usando óculos, blusa preta e brinco comprido. Ela está com uma das mãos apoiada embaixo do queixo.

*Mariana Gurian Manzini é Terapeuta Ocupacional, graduada pela Unesp. Tem especialização em Terapia da Mão e Reabilitação Neurológica em Terapia Ocupacional pela UFSCar. Mestrado e Doutorado em Educação Especial pela UFSCar. Pós-doutorado em Terapia Ocupacional pela UFSCar. Atualmente é professora voluntária do corpo docente do Departamento de Terapia Ocupacional – UFSCar – São Carlos, membro associado do ISAAC, terapeuta da clínica Cuhidar Saúde e supervisora na área de CAA. É também organizadora, juntamente com Claudia Maria Simões Martinez, do livro Terapia ocupacional e comunicação alternativa em contextos de desenvolvimento humano.

**Nota: Há variações em relação à Comunicação Alternativa. Em algumas regiões, pesquisadores e profissionais utilizam CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada), em outras, o termo mais usado é CSA (Comunicação Suplementar Alternativa). Por isso, consideramos todas as variações corretas.

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