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Dia do Orgulho Autista

por Fernando Murilo Bonato*

Foto de Fernando sorrindo com um funco de paisagem desfocado

“Orgulho é ser o nível um de suporte que um dia foi nível três?  Orgulho é ser autista bonitinho de vídeos?  Orgulho é ser o nível três que terminou o Ensino Médio?  Orgulho é ser um autista pouco fiasquento? Orgulho é ser um Autista sem crise? Orgulho é ser um camuflado?  Orgulho é ser autista inteligente?  Orgulho é ser referência em autismo? O que significa orgulho? O que significa ser orgulhoso de si? Para muitos como eu é simplesmente existir num mundo caótico.  Para outros é navegar em espectro. Para outros tantos é algo sem importância nenhuma. Porque não estão pertencentes a sociedade como pessoas com desejos e pensamentos.  Estes mais profundos autistas perdidos em suas verdades caóticas precisam descobrir seus valores soterrados em suas comorbidades. Para estes, orgulho pode significar ser um Autista que pode ir ao banheiro com autonomia.  Percebem? Orgulho varia tanto quanto níveis de suporte. Orgulho é relativo à expectativa.  Expectativa é uma profunda inverdade para quem nunca termina Expectativa.  E sempre busca novas expectativas.  Assim, ser orgulho é primeiro esquecer expectativas, depois aceitar falhas, por fim, pertencer à própria verdade evolutiva. Sem expectativas por olhos típicos.  Mas por próprios pensamentos.  E para mim competência não significa orgulho.  Competência significa uma verdade a ser lapidada. Orgulho é sentir poderosa fonte de amor mesmo quando competência ainda é pedra bruta. Orgulho de mim? Respondo… sempre falo de minhas falhas. Sinal de que respeito minha verdade. E orgulho para mim é respeitar minha verdade. Eu sou mais que autismo.  Por isso meu orgulho é sobre mim, não simplesmente por minha deficiência.  Ela me ensina a humildade do orgulho. A humildade de saber que preciso de apoio  sempre. Essa humildade me faz ser uma vida menor?  Não,  me faz mais orgulhoso de minha trajetória.  Orbitar entre orgulho e humildade é plenitude para mim”.

*Fernando Murilo Bonato, 19 anos, é um jovem autista com apraxia severa de fala. Ele encontrou na escrita uma poderosa forma de expressar seus pensamentos e reflexões sobre temas universais como amor, liberdade, felicidade e propósito. Sua comunicação acontece por meio de um ditado falhado – como ele diz – à mãe, que atua como sua escriba e traduz em palavras escritas aquilo que ele deseja compartilhar. Juntos, transformam desafios em uma trajetória inspiradora, que já resultou na publicação de livros e na conquista de milhares de leitores interessados na visão sensível e profunda do jovem  sobre a vida. 

Confira também a matéria que fizemos sobre o jovem:
https://civiam.com.br/dia-mundial-de-conscientizacao-do-autismo/

Mais vozes no Dia do Orgulho Autista

Nesta data, a Civiam também conversou com Carol Souza, autora do livro “Autistando”. Em sua reflexão, Carol fala sobre representatividade, inclusão e a importância de que pessoas autistas sejam reconhecidas como indivíduos com desejos, capacidades e voz própria.

➡ Leia também: “Somos pessoas e temos voz”: como o livro Autistando ajuda a ampliar a compreensão sobre o autismo.