ADEVA: desde 1978 capacitando pessoas com deficiência visual para o mercado de trabalho

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pra cego ver: Rapaz preto, vestindo uma camisa caqui aberta sobre uma camiseta amarela, está sentado em uma mesa em uma biblioteca, lendo com suas mãos um texto em braille

No dia 8 de abril foi celebrado o Dia Nacional do Sistema Braille, data instituída pela Lei nº 12.266/2010. E falar desse importante sistema de alfabetização das pessoas com deficiência visual é lembrar da história no Brasil da ADEVA (Associação de Deficientes Visuais e Amigos), fundada em 1978, que teve e tem fundamental papel na capacitação de profissionais para o mercado de trabalho ao oferecer cursos gratuitos de Braille, informática, telemarketing, vendas, orientação e mobilidade, entre outros.

“O Braille é essencial para a inclusão das pessoas com deficiência visual, apesar de todas as novas tecnologias existentes. Para ensiná-lo, utilizamos máquina de escrever em Braille, reglete e outros materiais pedagógicos para treinar o tato. O ideal é ensinar o Braille presencialmente, ainda que seja possível ensiná-lo a distância, mas isso requer muita disciplina por parte do aluno e o professor tem que criar formas de verificar o aprendizado, como, por exemplo, exigir o envio de material escrito por parte do aluno”, explica Markiano Charan Filho, Diretor-Presidente da instituição, escritor, palestrante, instrutor e ativista na luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Ele é formado em Língua e Literatura Inglesa pela PUC São Paulo, é especialista em Educação Inclusiva pela PUC Minas e Técnico em TI pela Escola Técnica Federal de São Paulo, tendo atuado como programador de computador durante 16 anos. É também criador do canal Enxergando Longe.

Porém, apesar do Braille ser o sistema de alfabetização das pessoas com deficiência visual, sabe-se que ainda há uma barreira em seu aprendizado. Para Charan Filho, são diversos os fatores para que as pessoas se empenhem em aprendê-lo: “Se pensarmos na população brasileira em geral, há uma parcela que infelizmente é analfabeta, sem contarmos os analfabetos funcionais. Tomemos agora a população com deficiência visual. Digamos que seja 1,5% da população total. Nem toda essa parcela tem acesso à escola e a centros de reabilitação. Isso é um impeditivo para que muitas pessoas tenham acesso ao Braille. Outro ponto é a ideia equivocada, na minha opinião, de que as novas tecnologias como computadores e celulares com leitores de tela possam substituir o Braille. Apesar da inegável contribuição que essas novas tecnologias trouxeram, não substituem a leitura por meio do sistema Braille. Se escrevermos a palavra “caza” aqui escrita propositalmente com “z”, o leitor de tela, em uma leitura corrente, não identificará o erro. É por isso que encontramos pessoas que têm uma ótima expressão verbal, mas que apresentam uma péssima ortografia, pois não fazem uso da leitura propriamente dita, a qual só é possível por meio do Braille. Uma solução para isso são as Linhas Braille. Mas ainda são equipamentos muito caros e fora do poder aquisitivo da grande maioria da população brasileira com deficiência visual”, analisa.

E, segundo ele, apesar da resistência encontrada por muitas pessoas atualmente quanto ao aprendizado do Braille, principalmente pela facilidade que as tecnologias com os aplicativos trouxeram aos usuários, é preciso que nas datas comemorativas, como a do Dia Nacional do Sistema Braille, seja cada vez mais ressaltada sua importância como fator de inserção não apenas no mercado de trabalho, mas na sociedade, melhorando a qualidade de vida da pessoa com deficiência visual.

Para Markiano, outra questão importante, mas que não é muito conhecida, é a capacitação em orientação e mobilidade, que é essencial para melhorar a autonomia e a segurança, principalmente das pessoas com baixa visão. “Vale lembrar que as bengalas coloridas são indicativo da deficiência e as pessoas precisam fazer uso das cores correspondentes para que as pessoas ao redor possam auxiliá-las de forma mais adequada”, explica Charan Filho em relação às cores da bengala, sendo a branca relacionada à pessoa com deficiência visual, a verde às pessoas com baixa visão e a vermelha e branca às pessoas com deficiência visual e auditiva.

Capacitação para o mercado de trabalho

Segundo Charan Filho, o primeiro curso de programação no Brasil foi dado pelo professor Domingos Sessa Neto em 1973. A ADEVA, quando surgiu em 1978, deu então continuidade à essa capacitação. “Na época, as pessoas aprendiam programação na linguagem COBOL. Não havia os chamados PC’s. As pessoas aprendiam a programar escrevendo os programas em Braille e, na verdade, o que contava era o raciocínio lógico e a escrita correta dos comandos. Nas empresas, ainda não havia a tecnologia que existe hoje e as primeiras pessoas com deficiência que entraram para a área de programação de computadores digitavam seus programas em uma perfuradora de cartões. Muitos ditavam esses programas para digitadores. O único recurso que havia era um programa que, usando o caractere ponto, faziam uma impressão em Braille, onde se podia ler precariamente o programa digitado. Isso os ajudava a corrigir os erros até entregarem o programa correto”, relembra Markiano, ilustrando como era a atuação das pessoas com deficiência na área de informática.

Hoje, a ADEVA mantém as capacitações de informática em salas com computadores equipados com leitores de tela e teve que se adaptar durante o período de pandemia.  “Criamos uma plataforma EAD por conta da Covid-19”, explica Charan Filho, que ressalta que o objetivo da instituição é capacitar em conhecimentos específicos das funções que um candidato pretende desempenhar para conquistar uma vaga de emprego. Por isso, além dos cursos de informática, Braille, marketing e mobilidade, a ADEVA oferece capacitação complementar como educação para o trabalho, inglês, relacionamento interpessoal com foco no desempenho profissional da pessoa com deficiência visual, português com redação empresarial e matemática. 

Todos os cursos são gratuitos, com material didático impresso em Braille e em tipos ampliados, ministrados por profissionais especializados no atendimento às pessoas com deficiência visual, em salas com computadores equipados com softwares leitores de tela. “Por isso que eu digo que o aprendizado do Braille abre uma infinidade de oportunidades no mundo do trabalho, pois, é por meio desse sistema que a pessoa com deficiência visual tem o acesso ao estudo e pode conquistar vagas de emprego por sua capacidade e não por sua deficiência”, explica.

Os interessados em cursar uma das capacitações da ADEVA devem entrar em contato pelos telefones: 11 5084-6693 / 5084-6695.

Consultoria a empresas

A ADEVA presta também consultoria a organizações públicas e privadas durante todo o processo de contratação de pessoas com deficiência visual. Os especialistas da instituição atuam ainda no levantamento de funções e/ou cargos que podem ser exercidos por pessoas com deficiência visual dentro da contratante, na seleção e indicação de candidatos para o preenchimento das vagas, além de desenvolver cursos para capacitar os candidatos selecionados no Centro de Treinamento da ADEVA.

A organização ministra palestras in company de sensibilização, direcionadas aos gestores e a todos os funcionários que atuarão com os contratados, objetivando a minimização de preconceitos e assessoria na escolha do software leitor de tela mais adequado para o desenvolvimento das funções e/ou cargos pelo contratado, dentre os disponíveis no mercado (NVDA e Jaws), sugerindo adaptações para torná-los compatíveis com o sistema da empresa, quando necessário.

Para mais informações:

https://www.adeva.org.br/

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