
No dia 12 de maio, o mundo celebra o Dia Internacional da Enfermagem, cujo objetivo é homenagear o papel indispensável desses profissionais na sociedade. Para Manoel Messias Teixeira da Silva*, enfermeiro, à frente dos cursos de Enfermagem do Senac/RJ, o momento carrega um significado profundo: “É um dia de muito orgulho, mas também de reflexão. A enfermagem cuida de pessoas em momentos extremamente vulneráveis. Mais do que comemorar, é uma oportunidade de lembrar das nossas responsabilidades, da nossa essência e do impacto que temos, diariamente, na vida de cada paciente”.
Ao longo de sua trajetória (que já destacamos em uma matéria especial sobre sua carreira), o especialista acompanhou de perto a evolução da enfermagem no Brasil – segundo ele, a profissão deixou de ser vista apenas como operacional e passou a ocupar um espaço mais estratégico dentro da saúde. “Hoje, vemos profissionais com pensamento crítico, mais autonomia, protagonismo e cada vez mais inseridos no universo da tecnologia. Houve uma evolução significativa na enfermagem, especialmente na formação e na valorização do conhecimento científico como parte essencial da prática profissional”, destaca.
Nessa conjuntura, Manoel explica que, embora técnicos de enfermagem e enfermeiros atuem lado a lado, suas funções são distintas e complementares. Enquanto o técnico está mais diretamente envolvido na assistência cotidiana ao paciente, o enfermeiro assume uma visão mais ampla, sendo responsável pelo planejamento do cuidado, tomada de decisões clínicas e liderança de equipes.
Quanto ao mercado de trabalho, ele destaca que a área continua em constante evolução, impulsionada principalmente pelo envelhecimento da população e pelo aumento de doenças crônicas. No entanto, ele faz um alerta: “O cenário também está mais exigente. Por isso, não basta ter diploma. O diferencial está na qualificação contínua e na busca por atualização”.
O especialista diz ainda que, apesar dos avanços, a formação em enfermagem ainda enfrenta desafios importantes. Um dos principais, de acordo com ele, é a distância entre teoria e prática. “Muitos alunos saem inseguros porque tiveram pouca vivência real ou simulada. Precisamos de uma formação mais prática, mais próxima da realidade”, explica.
Ele complementa: “É nesse contexto que entram as tecnologias educacionais, como os simuladores de alta fidelidade, que vêm revolucionando o ensino da enfermagem. Elas mudaram completamente a forma de aprender e ensinar e mostram que a tecnologia na área da saúde é um caminho sem volta. Hoje, ela já faz parte tanto da assistência quanto da formação e tende a crescer cada vez mais, pois permite inserir o aluno em situações críticas e altamente realistas, sem qualquer risco ao paciente, desenvolvendo raciocínio clínico, tomada de decisão e trabalho em equipe de maneira muito mais eficiente”.
Manoel salienta que nos cursos em Enfermagem do Senac/RJ, a simulação já é parte totalmente integrada ao processo de ensino: “O aluno não apenas executa procedimentos: ele vivencia cenários reais, toma decisões, erra, reflete e aprende com cada experiência. O professor atua como facilitador do aprendizado, conduzindo posteriormente o debriefing — momento em que o conhecimento realmente se consolida e o estudante pode revisitar todo o processo quantas vezes forem necessárias para aprimorar sua prática”.
Entre os exemplos mais impactantes proporcionados pela simulação, estão treinamentos para situações de emergência, como paradas cardiorrespiratórias e atendimento a pacientes críticos. “Treinar essas situações em simuladores faz toda a diferença. O aluno desenvolve segurança e experiência para atuar diante de um paciente real. Além de fortalecer a formação, a simulação realística impacta diretamente na segurança do paciente, reduzindo erros, elevando a qualidade da assistência e, consequentemente, contribuindo para salvar mais vidas”, ressalta.
Segundo o especialista, o Senac/RJ mensura de forma clara os impactos positivos do uso de simuladores na formação dos alunos: “Avaliamos o desempenho e a evolução dos estudantes na tomada de decisão, além de analisarmos feedbacks qualitativos ao longo do processo. Também observamos o comportamento dos alunos nos campos de estágio — tanto pelos professores quanto pelos próprios concedentes, e os resultados têm sido muito evidentes e extremamente satisfatórios para todos nós”.
O futuro da profissão
Na visão de Manoel Silva, o futuro da enfermagem está diretamente ligado à tecnologia. “Ferramentas como realidade virtual e inteligência artificial tendem a estar cada vez mais presentes e, em um futuro muito próximo, serão indispensáveis na formação dos profissionais. Assim como hoje é impossível imaginar um estudante sendo formado sem prática, em breve também será impensável formar sem o apoio da tecnologia”, projeta.
No entanto, ele reconhece que a categoria ainda está em processo de adaptação a essa transformação digital: “A nova geração já nasce mais conectada às tecnologias, e, por isso, as instituições têm um papel fundamental nesse processo de transformação – inclusive na capacitação dos próprios professores, que precisam se atualizar constantemente e acompanhar as novas estratégias e metodologias educacionais”.Quando o assunto é valorização da profissão, o especialista é direto: “Ainda há muito a avançar. Precisamos de reconhecimento real, não só simbólico. Melhores condições de trabalho, remuneração justa e respeito à complexidade da profissão são fundamentais”. Entre as melhorias práticas, ele aponta o dimensionamento adequado das equipes e melhores condições estruturais como fatores essenciais para garantir qualidade na assistência.

* Manoel Messias Teixeira da Silva é enfermeiro, à frente dos cursos de Enfermagem do Senac/RJ, especialista em Unidade de Tratamento Intensivo; Auditoria de Sistema de Saúde; Educação Corporativa e Enfermagem do Trabalho. É também perito judicial na área assistencial, diretor técnico da empresa Integra Saúde, autor do capítulo “Administração de medicamentos” do Curso Didático de Enfermagem, instrutor de simulação clínica realística e membro da Associação Brasileira de Simulações na Saúde (ABRASSIM) e da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn/RJ).


