
A simulação tem se consolidado como uma das estratégias educacionais mais eficazes na formação e no aperfeiçoamento de profissionais da saúde. Presente em áreas como medicina, enfermagem, odontologia e medicina veterinária, a simulação permite que estudantes e profissionais desenvolvam conhecimentos, habilidades técnicas, raciocínio clínico e atitudes profissionais em um ambiente seguro, controlado e ético.
O que é simulação na área da saúde?
A simulação na área da saúde é uma metodologia educacional que permite o treinamento de habilidades técnicas, clínicas, comunicacionais e éticas em ambientes seguros e controlados, utilizando simuladores, pacientes padronizados e cenários clínicos estruturados, com foco na segurança do paciente e na qualidade do cuidado.
Cabe destacar que a simulação oferece também ao aluno a oportunidade de experimentar cenários desafiadores e de baixa incidência na prática clínica, frequentemente ausentes mesmo durante anos de residência, e tradicionalmente acessados apenas por meio da literatura científica.
Por isso, na prática, a simulação possibilita que os mais variados procedimentos, atendimentos e tomadas de decisão sejam treinados antes do contato com o paciente real, reduzindo, assim, riscos, prevenindo erros e fortalecendo a qualidade do cuidado em saúde.
Vamos entender melhor os tipos de simulação?
Simulação realística – é uma metodologia que busca reproduzir, com o máximo de fidelidade possível, situações reais da prática clínica. Ela pode envolver simuladores de baixa, média ou alta fidelidade, atores (pacientes padronizados), cenários clínicos estruturados e tecnologias avançadas.
Mais do que executar técnicas, o foco está na experiência completa:
avaliação do paciente, comunicação, tomada de decisão, trabalho em equipe e reflexão crítica após o cenário (debriefing).
Simulação híbrida – combina diferentes recursos educacionais em um mesmo cenário. Um exemplo comum é a associação de simuladores físicos (como braços de punção e manequins) com pacientes padronizados (atores) ou tecnologias digitais.
Esse modelo amplia o realismo da experiência, permitindo que o aluno treine simultaneamente:
- Habilidades técnicas
- Comunicação com o paciente
- Empatia e postura profissional
É uma abordagem muito utilizada em avaliações e treinamentos que exigem integração entre técnica e comportamento.
OSCE (Objective Structured Clinical Examination) – ou Exame Clínico com Objetivo Estruturado – é um método de avaliação prática muito utilizado na formação e na certificação de profissionais da saúde. Seu objetivo é avaliar, de forma padronizada, objetiva e estruturada, as competências clínicas, comunicacionais e éticas do estudante ou profissional.
O OSCE funciona da seguinte maneira: é organizado em estações (ou postos), pelas quais o participante circula em tempo determinado. Em cada estação, ele deve realizar uma tarefa específica, como:
- Realizar uma anamnese
- Executar um procedimento técnico
- Demonstrar habilidades de comunicação
- Tomar decisões clínicas
- Atender um paciente simulado (ator treinado) ou utilizar manequins
Cada estação deve apresentar um cenário padronizado, objetivos claros (com critérios previamente definidos, reduzindo subjetividade), um checklist estruturado de avaliação e um avaliador treinado para observar o desempenho. Dessa forma, o OSCE permite:
- Avaliação objetiva e padronizada
- Feedback estruturado
- Maior equidade no processo avaliativo
- Alinhamento com competências clínicas reais
Por isso, é considerado um dos formatos mais eficazes para avaliar competências clínicas de forma justa e consistente.
A importância do briefing e debriefing
Na simulação, o briefing e o debriefing são etapas fundamentais para garantir que a experiência seja segura, ética e realmente educativa. Eles estruturam o antes e o depois da simulação, potencializando, dessa forma, o aprendizado.
O briefing acontece antes da simulação e tem como principal objetivo preparar os participantes. Entre os principais benefícios estão:
- Apresentar os objetivos de aprendizagem da atividade,
- Explicar o cenário, os limites da simulação e os recursos disponíveis,
- Estabelecer um ambiente psicológico seguro, reforçando que o erro faz parte do aprendizado,
- Alinhar expectativas e reduzir ansiedade,
- Definir papéis, regras e formas de comunicação.
Um briefing bem conduzido aumenta o engajamento, favorece a participação ativa e permite que os participantes se concentrem no raciocínio e na tomada de decisão, e não na insegurança.
Já o debriefing ocorre após a simulação e é considerado o momento mais importante e fundamental do processo de aprendizagem, uma vez que:
- Estimula a reflexão crítica sobre as ações realizadas,
- Permite que os participantes expressem sentimentos e percepções,
- Analisa decisões, comportamentos e resultados, sem julgamento,
- Relaciona a experiência prática com a teoria e a prática real,
- Consolida aprendizados e identificar pontos de melhoria.
No debriefing, o facilitador conduz o grupo para transformar a experiência vivida em conhecimento significativo, promovendo desenvolvimento técnico e humano.
Por isso, ambas as etapas são de suma importância durante uma simulação. Sem briefing e debriefing, a experiência perde seu caráter pedagógico e se torna apenas uma encenação. Com eles, a simulação se torna uma poderosa ferramenta de educação, formação, qualificação e mudança de práticas.
A importância da simulação para a segurança do paciente
Um dos principais pilares da simulação em saúde é a segurança do paciente. Ao treinar em simuladores, o aluno pode errar, refletir, receber feedback e repetir o procedimento quantas vezes forem necessárias – sem causar danos reais.
Esse processo contribui para:
- Redução de erros assistenciais
- Maior confiança e preparo do profissional
- Desenvolvimento do raciocínio clínico e da tomada de decisão
- Treinamento de situações raras ou críticas
- Fortalecimento do trabalho em equipe e da comunicação
A simulação como aliada da formação em saúde
Na Civiam Simulação, acreditamos que a simulação não é apenas uma ferramenta, mas uma estratégia essencial para formar profissionais mais preparados, conscientes e seguros. Em nossas matérias você encontrará conteúdos sobre metodologias, tecnologias, tendências, evidências científicas e boas práticas em simulação na educação em saúde.
Porque treinar bem salva vidas.
E a simulação é parte fundamental desse caminho.
Conteúdo produzido pela equipe da Civiam Simulação, especializada em educação baseada em simulação e segurança do paciente.


