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Volta às aulas inclusiva: Comunicação Aumentativa e Alternativa e atividades adaptadas na escola

Aluno olhando para cima e sorrindo com Atividades adaptadas com Comunicação Aumentativa e Alternativa na volta às aulas

A volta às aulas é um momento de recomeços, expectativas e reorganização da rotina escolar. Para muitos estudantes, no entanto, esse período também pode ser marcado por insegurança, ansiedade e dificuldades de comunicação. Por isso, iniciar o ano letivo com práticas de educação inclusiva bem planejadas é fundamental — e a Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) tem papel central nesse processo.

A CAA abrange recursos e sistemas que permitem que pessoas com necessidades complexas de comunicação se expressem e compreendam o mundo ao seu redor. Ela pode envolver o uso de símbolos, imagens, gestos, pranchas de comunicação, rotinas visuais, além de recursos tecnológicos. Na escola, especialmente no início do ano, esses apoios são essenciais para garantir que todos os alunos compreendam a rotina, as atividades e as expectativas, participando ativamente do processo educativo.
(Confira aqui a matéria completa que fizemos sobre o que é Comunicação Aumentativa e Alternativa).


Atividades adaptadas como base para a educação inclusiva

É a partir dessa base comunicacional acessível, com o uso da comunicação alternativa, que as atividades adaptadas ganham grande relevância. Elas são tarefas ou exercícios educacionais que foram modificados ou planejados especificamente para atender às necessidades individuais dos alunos, permitindo que eles acessem, participem e avancem na aprendizagem, respeitando suas habilidades, desafios e ritmo.

Garantir que todos os estudantes tenham acesso real ao currículo vai muito além de oferecer o mesmo conteúdo para todos. A educação inclusiva busca equidade e, para isso, exige planejamento, sensibilidade e estratégias que respeitem as diferentes formas de aprender. As atividades adaptadas são uma das principais ferramentas para esse processo e destinam-se a alunos com necessidades educacionais específicas, identificadas por meio de avaliação e observação cuidadosa.

Entre eles estão:

  • alunos com deficiências físicas, sensoriais, intelectuais ou múltiplas;
  • estudantes com transtornos de aprendizagem, como dislexia, discalculia e TDAH;
  • alunos com necessidades emocionais ou comportamentais que impactam a aprendizagem;
  • estudantes que estão aprendendo em uma língua que não é a materna;
  • alunos com altas habilidades ou superdotação, que podem precisar de desafios adicionais;
  • alunos com condições de saúde específicas, temporárias ou crônicas.

Autonomia do estudante como foco das atividades adaptadas

O foco das atividades adaptadas deve ser sempre a autonomia do estudante, permitindo que ele realize as tarefas com o mínimo de ajuda possível desde o início do ano letivo. Essa abordagem traz ganhos importantes para o desenvolvimento, como:

  • fortalecimento da autoestima e da confiança, fundamentais para o engajamento escolar;
  • construção de um ambiente verdadeiramente inclusivo, onde todos se sentem pertencentes;
  • personalização da aprendizagem, reconhecendo que cada aluno é único;
  • desenvolvimento de habilidades para a vida, que ultrapassam os muros da escola;
  • aprendizagem mais eficiente, quando o material dialoga com as necessidades do estudante;
  • preparação para desafios futuros, estimulando resiliência e adaptação.

Atividades adaptadas não são o mesmo que materiais didáticos acessíveis

Embora caminhem juntos e se complementem, adaptar atividades e produzir materiais didáticos acessíveis não são a mesma coisa. Adaptar atividades significa modificar uma tarefa existente para atender às necessidades de um aluno específico ou de um pequeno grupo. Trata-se de uma ação mais individualizada e, muitas vezes, pontual.

Já a produção de materiais didáticos acessíveis tem um alcance mais amplo e baseia-se nos princípios do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Essa abordagem pedagógica, fundamentada na neurociência, busca tornar o currículo acessível e flexível para todos os alunos desde o planejamento, minimizando barreiras. Focada na diversidade, utiliza múltiplos meios de engajamento, representação e ação/expressão para atender a diferentes estilos de aprendizagem.

Na volta às aulas, investir em materiais acessíveis desde o planejamento inicial reduz a necessidade de adaptações posteriores e favorece a inclusão desde o primeiro contato com o conteúdo.


Quem é responsável por adaptar as atividades escolares?

A adaptação de atividades não é responsabilidade de um único profissional. Na prática escolar, especialmente no início do ano, esse trabalho é mais eficaz quando realizado de forma multidisciplinar, garantindo coerência e alinhamento às reais necessidades dos estudantes.

Devem estar envolvidos professores da sala de aula, especialistas em educação especial, coordenação pedagógica, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, especialistas em tecnologia assistiva, pais ou responsáveis e, sempre que possível, o próprio aluno.

Algumas escolas contam com salas de recursos multifuncionais, professores de apoio, equipes de atendimento educacional especializado, iniciativas voltadas à acessibilidade, formação docente em educação inclusiva, Comunicação Aumentativa e Alternativa e tecnologias educacionais assistivas com recursos de acessibilidade integrados.


Recursos para viabilizar a adaptação de atividades na escola

No começo do ano, professores e equipes pedagógicas precisam preparar rotinas, atividades diagnósticas, avaliações iniciais e materiais de apoio. Para muitos alunos — especialmente aqueles com necessidades complexas de comunicação, deficiências, transtornos de aprendizagem ou dificuldades na compreensão da linguagem — o acesso a esses conteúdos só é possível quando há suporte visual claro e organizado, elaborado com a Comunicação Aumentativa e Alternativa.

A previsibilidade das atividades escolares, organizada por meio de sequências visuais fixadas na parede, contribui para a organização de todos os alunos, favorecendo a compreensão da rotina, reduzindo a ansiedade e promovendo um ambiente mais tranquilo e acolhedor.


Boardmaker 7 como apoio à Comunicação Aumentativa e Alternativa na escola

Nesse cenário, o Boardmaker 7 (BM7) se torna uma ferramenta essencial de Comunicação Aumentativa e Alternativa para a adaptação de atividades escolares e para a construção de um ambiente educacional mais acessível desde o primeiro dia letivo. Trata-se de um software que permite criar rapidamente atividades adaptadas, rotinas visuais, pranchas de comunicação, agendas, jogos pedagógicos e materiais de apoio de forma simples e rápida, graças à grande quantidade de atividades prontas disponíveis.

Com mais de 80 mil símbolos PCS (Picture Communication Symbols®), disponíveis em mais de 40 idiomas, o Boardmaker 7 favorece a compreensão de comandos, instruções e conteúdos curriculares por meio da CAA — algo especialmente importante na volta às aulas, quando muitos alunos ainda estão se readaptando à rotina escolar.

Além disso, os usuários do BM7 passam a integrar uma comunidade online colaborativa, na qual materiais produzidos por educadores de todo o mundo são compartilhados. Esses conteúdos ficam organizados e podem ser facilmente localizados de acordo com o nível de ensino, o grau de complexidade e os objetivos pedagógicos, ampliando as possibilidades de adaptação e planejamento inclusivo.

Ao associar imagens, palavras e organização visual, o software reduz barreiras de comunicação, aumenta a compreensão das atividades e possibilita que o aluno participe de forma mais autônoma.


Agilidade e economia de tempo para o professor

Outro ponto crucial no início do ano é o tempo do professor. O Boardmaker 7 oferece centenas de modelos prontos de materiais de Comunicação Aumentativa e Alternativa, tanto imprimíveis quanto interativos, agilizando a produção de recursos e reduzindo o retrabalho. Em vez de começar do zero, o educador pode adaptar, personalizar e reorganizar atividades de forma eficiente.

Compatível com Windows, Mac e Chromebook, o software facilita o uso em diferentes contextos escolares. Mais do que uma ferramenta tecnológica, o BM7 é um recurso pedagógico estratégico para garantir uma volta às aulas verdadeiramente inclusiva, promovendo participação ativa, organização e equidade.

Começar o ano letivo com atividades adaptadas, comunicação acessível por meio da CAA e foco na autonomia é um passo fundamental para o sucesso de todos os alunos. É acreditar que todos podem, de fato, aprender.


Fontes:
https://institutoitard.com.br/o-que-e-atividade-adaptada/
https://institutoneurosaber.com.br/artigos/como-diferenciar-deficiencia-intelectual-de-atraso-cognitivo/

Redação Civiam

Entrevistas, histórias reais e conteúdo sobre diversos aspectos ligados às Tecnologias Assistivas e à educação na saúde.

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