Soroban – a calculadora das pessoas com deficiência visual

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Uma breve história deste instrumento milenar

Cálculos matemáticos são atividades cuja existência, estima-se, vem de antes da divisão dos números como hoje conhecemos. E quase desde então, tais cálculos são feitos em ábacos. Com origem avaliada em torno de 3000-2500 AC, os primeiros ábacos usados para cálculos mais complexos existiram na Mesopotâmia. Bem mais tarde, na China, evidências apontam o surgimento destes instrumentos em torno de 190 AC.

O ábaco japonês, que é bastante popular aqui no hemisfério sul, foi adaptado de um destes modelos e trazido ao Brasil por imigrantes, muitos anos depois da publicação do livro de um matemático de Kyoto, Kambei Mori, quem desenvolveu o modelo japonês, batizado então de soroban. E o livro em questão foi escrito no início do século 17, explicando o funcionamento deste instrumento de cálculos.

Apesar de proporcionalmente menor, o uso do soroban no Japão ainda é comum nos dias de hoje, mesmo após o invento das calculadoras, cada vez mais tecnológicas e portáteis. Isto porque ele possibilita cálculos mais exatos, estimula a mente, os sentidos (tátil, auditivo e visual) e, portanto, não funciona apenas como uma máquina de fazer contas matemáticas.

Soroban para as pessoas com baixa visão ou cegas

E os motivos citados acima são, em grande parte, os mesmos que deram origem ao uso do soroban por pessoas com deficiência visual. Um grande marco desta adaptação do instrumento de cálculos aconteceu no Brasil, apesar de o soroban (também pode ser escrito sorobã) para cegos ter ficado popular a partir dos Estados Unidos, por Tim Cranmer, que colocou um feltro no fundo de uma caixa plástica, onde foi montado o soroban, para impedir que as contas deslizassem inadvertidamente e atrapalhassem os cálculos.

Aqui no Brasil, quem ajudou os cegos a usar o soroban com precisão foi Joaquim Lima de Moraes, que colocou uma borracha compressora para a mesma finalidade, bem antes do norte-americano, em 1949.

Assim como o uso do Braille, que é priorizado por muitas pessoas cegas mesmo com toda a tecnologia disponível hoje – pela autonomia que proporciona; o soroban é bastante usado por pessoas com deficiência visual mesmo com as calculadoras sonoras – e é ensinado em muitas escolas. Conforme explicado acima, ele estimula os sentidos auditivo e tátil, além de fortalecer a capacidade de raciocínio.

Vale salientar que o Ministério da Educação (MEC) oficializou em 2002 o uso do soroban para o ensino de pessoas com deficiência visual, permitindo, inclusive, o seu uso em provas de concurso público. Além disso, foi a partir da publicação da Portaria do MEC nº 1.010 de 10 de maio de 2006, que o soroban foi instituído como recurso educativo específico imprescindível para a execução de cálculos matemáticos por alunos com deficiência visual.

Até a próxima!

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