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Métodos de acesso: quando a tecnologia devolve autonomia e transforma vidas

Foto de uma menina na escola controlando o computador apenas com o olhar

Para quem toca a tela do celular, movimenta o mouse ou digita no teclado sem sequer perceber, o acesso à tecnologia parece algo automático, quase invisível na rotina. Mas, para milhares de pessoas que não têm o movimento das mãos, usar um mouse tradicional pode ser um obstáculo enorme.

E isso não significa que elas não possam navegar na internet, escrever uma mensagem ou participar de uma reunião online. Significa apenas que o caminho será diferente – e é aí que a tecnologia faz toda a diferença com os métodos de acesso: são recursos de Tecnologia Assistiva que devolvem autonomia, ampliam possibilidades ao permitir o acesso a smartphones, computadores e tablets. Ou seja, mais do que dispositivos, eles são pontes entre o usuário e os dispositivos, seja para se comunicar, estudar, trabalhar, socializar ou se divertir.

Conheça os métodos de acesso

São diversos os tipos de métodos de acesso, que variam de acordo com a indicação para cada necessidade/ particularidade do usuário:

Acionadores

São dispositivos de Tecnologia Assistiva que permitem que uma pessoa acione, como o nome diz, equipamentos eletrônicos, como computador, tablet, brinquedo adaptado ou sistema de comunicação. Dessa forma, o acionador substitui comandos que normalmente exigiriam movimentos como clicar em um mouse ou apertar uma tecla no teclado ou no controle remoto, mas que não são possíveis de serem realizados quando o usuário apresenta mobilidade reduzida.

Acionadores de pressão – e se o único movimento que a pessoa apresenta voluntariamente é nas bochechas ou em um dedo do pé? Pensando nisso é que foram desenvolvidos acionadores que são ativados pela pressão corporal, como pressão das bochechas, do queixo, da mordida, das mãos, dos dedos, dos pés e da cabeça.

Foto de um acionador de bochecha
Foto de um acionador de mordida
Foto de um acionador de piscada

Acionadores de movimento – se o usuário tem o movimento de agitar algo, ainda que para todos os lados, há um acionador em bastão para esse tipo de mobilidade. O acionador de agito é ativado pelo movimento de agitação do acionador em qualquer direção. Há também o acionador que não requer toque físico: se a pessoa consegue acenar a mão ou mover o corpo, há um acionador que é ativado a 1cm do dispositivo. Para as pessoas com mobilidade reduzida que conseguem assoprar ou sugar, há também um modelo de acionador de sopro e sucção. E se o movimento for apenas uma piscada? Também tem acionador que detecta a piscada, convertendo em clique.

Há ainda um acionador que é ativado por som, que pode ser apenas um susurro, de tão sensível que ele é.

Mouses adaptados

Como falamos, os mouses adaptados são indicados quando o mouse convencional não atende às necessidades motoras, sensoriais ou de coordenação do usuário. Existem diversos tipos para que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida consigam utilizar computadores e outros equipamentos digitais com mais autonomia, conforto e precisão.

Eles fazem parte dos recursos de Tecnologia Assistiva e, assim como o mouse tradicional, servem para mover o cursor na tela, clicar, arrastar e selecionar itens. A diferença está no formato, tamanho, sensibilidade e formas de uso, que são pensadas para diferentes perfis de usuários:

Foto de um garoto usando o computador com um mouse tipo trackball

Mouse tipo trackball – requer controle motor menos fino que um mouse padrão exige e, por isso, é constituído de forma robusta. Tem diversos modelos, mas a característica principal é a presença de uma bola grande central que é movimentada com os dedos ou a palma da mão, exigindo menos deslocamento do braço.

Mouse para toque de dedo – O Orbitrack é um dispositivo que permite o controle do computador apenas pelo toque do dedo, sem a necessidade de movimentos amplos da mão e do pulso. É indicado para pessoas com deficiências motoras, exigindo mínimo esforço e coordenação motora para utilização do mouse. 

Mouse joystick – funciona como um controle de videogame. Exemplo disso é o BJOY Ring, um dispositivo USB que converte o joystick da cadeira de rodas motorizada em um mouse para controlar o computador, tablet e smartphones compatíveis. Para fazer o clique, pode ser usado com acionadores externos. Já o Optima Joystick é uma alternativa compacta de mouse de mesa que não requer habilidades motoras finas e é projetado especificamente para responder ao toque mais leve para fornecer navegação precisa do cursor e direcionamento preciso de objetos na tela do computador, ocupando o mínimo de espaço na mesa.

Mouse ultrassensível – para quem tem força mínima nas mãos e nos dedos, o mouse BJOY Hand é um mouse baseado em um joystick analógico extremamente sensível, que permite o acesso com mínimo movimento e força dos dedos. 

Mouse de cabeça – move o cursor a partir dos movimentos da cabeça, captados por sensores. O GlassOuse Pro, por exemplo, é um mouse compacto leve e poderoso que rastreia o movimento da cabeça com precisão em telefone celular, computador, tablet ou Smart TV. Ele permite controlar até 3 dispositivos simultaneamente, que podem ser alternados facilmente entre eles, sendo acionados quando o dispositivo correspondente estiver em uso. Pode ser utilizado preso a uma faixa que pode ser colocada na cabeça, nos braços, ou ainda preso ao óculos, boné, fone de ouvido ou a um gorro (nos dias de inverno).

Mouse de queixo – o BJOY CHIN é um mouse adaptado para ser usado com o queixo: o tamanho pequeno, a posição dos botões, a precisão e todas as opções e possibilidades de montagem fazem deste mouse um dispositivo muito versátil.

Mouse controlado pelos olhos (rastreador ocular) – utiliza tecnologia de rastreamento ocular para mover o cursor apenas com o olhar, permitindo que o usuário acesse o computador ou tablet com o movimento dos olhos, permitindo trabalhar, estudar, socializar e se divertir.

Teclados adaptados

São diversos tipos de adaptações realizadas em teclados para pessoas com deficiência visual, como teclados coloridos, com teclas ampliadas, teclas em Braille, com colmeia de acrílico, entre outros.

Como escolher o método de acesso

Não existe um único método de acesso ideal, pois cada pessoa é única – seu corpo, suas preferências e seus objetivos devem ser levados em conta na hora da escolha do recurso. Por isso, antes de decidir qual utilizar, é fundamental olhar além do diagnóstico. Entender os interesses do usuário, a finalidade do uso (seja estudar, trabalhar, se comunicar ou se divertir), avaliar os movimentos voluntários disponíveis e, principalmente, ouvir quem vai utilizar o dispositivo.

A avaliação, geralmente, é conduzida por um profissional (terapeuta ocupacional e/ou fonoaudiólogo), de modo a colocar o usuário no centro da decisão. Porque acessibilidade de verdade não é impor soluções, é construir caminhos junto com quem vai percorrê-los de forma segura, e confortável. 

Falar de métodos de acesso é falar de dignidade, é lembrar que tecnologia não é luxo, é direito. E que autonomia não é detalhe, é condição essencial para que toda pessoa possa viver, comunicar-se, aprender, trabalhar e participar da sociedade com protagonismo.

Redação Civiam

Entrevistas, histórias reais e conteúdo sobre diversos aspectos ligados às Tecnologias Assistivas e à educação na saúde.

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