
A participação do Instituto Simbora Gente nas atividades em alusão ao Dia Internacional da Síndrome de Down (21/3) em Genebra — conhecida como a sede europeia da Organização das Nações Unidas — reforça um movimento cada vez mais essencial: o protagonismo de pessoas com Síndrome de Down nos espaços globais de decisão.
As comemorações têm início no dia 19/3, em um encontro que reunirá pessoas com Síndrome de Down de diversos países para dialogar sobre direitos, inclusão e sistemas de apoio. Neste ano, as discussões acontecem em torno do tema “Together Against Loneliness” (Juntos contra a solidão), que convida o mundo a refletir sobre a importância da conexão, do pertencimento e da participação das pessoas com deficiência na vida em comunidade.
“O convite surgiu em função do protagonismo crescente do grupo de autodefensores do Instituto e das pesquisas que venho conduzindo, relacionadas à mediação, à sexualidade e à autodefensoria”, destaca Fabiana Duarte, psicóloga, pesquisadora, fundadora e atual coordenadora do Instituto Simbora Gente.
Mais do que um conceito, a autodefensoria vem se consolidando como um movimento transformador. Trata-se de um processo que promove autonomia, representatividade e participação social de pessoas com deficiência, permitindo que elas defendam seus próprios direitos e influenciem decisões que impactam suas vidas. Por isso, os autodefensores do Simbora Gente têm ganhado destaque: “Os autodefensores têm uma participação social cada vez mais ativa, e o trabalho que desenvolvemos no Brasil está sendo reconhecido e levado para o mundo. Acreditamos na troca solidária, que nos permite ensinar e aprender mutuamente”, destaca.
Voz ativa em decisões globais
Vale destacar que a atuação dos autodefensores do Instituto em espaços globais, no entanto, não é inédita. “O Simbora Gente já participou de atividades da ONU voltadas à inclusão e acessibilidade em Nova York, no Egito, na Áustria e, agora, em Genebra. Neste ano, por exemplo, em Viena, houve a oportunidade de integrar o comitê de avaliação técnica de projetos inclusivos de diversos países, com a participação das autodefensoras do Simbora Gente, Samanta Quadrado e Bruna Jacinto do Amaral. Em todas essas ocasiões, o propósito se mantém o mesmo: levar a voz das pessoas com deficiência aos espaços de decisão, além de promover a troca de experiências e aprendizados em nível internacional”, salienta Fabiana.
Ela destaca também: “Tornar possível a participação de pessoas com Síndrome de Down em um espaço como o Conselho de Direitos Humanos é fundamental para que políticas, programas e práticas globais considerem suas experiências e perspectivas. É também uma forma de promover a autodefensoria e o fortalecimento dessas pessoas, mostrando que essas vozes têm conhecimento, opinião e podem contribuir significativamente para decisões que impactam suas vidas. Além disso, é uma oportunidade de romper com visões estereotipadas e com o capacitismo – ainda muito presente na sociedade -, reforçando que pessoas com deficiência devem ser protagonistas das discussões que lhes dizem respeito. Quando ocupam esses espaços, deixam de ser apenas representadas e passam a ser, de fato, participantes ativas na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva. É colocar em prática, de forma concreta, o princípio do “nada sobre nós sem nós”, destaca a coordenadora.
Representatividade que transforma

Para as autodefensoras Samanta Quadrado e Lia de Paulino Lerner, representar o Instituto Simbora Gente em um evento internacional é, acima de tudo, uma afirmação de autonomia: “Significa que a gente pode falar por nós mesmas, defender nossos direitos e mostrar que somos capazes. Queremos mostrar que as pessoas com Síndrome de Down têm voz, têm opinião e podem estar em qualquer lugar, inclusive na ONU. Também é uma oportunidade de aprender, conhecer outras pessoas e trocar experiências. Representar o Simbora Gente e o nosso grupo é muito importante para dar visibilidade e mostrar que pessoas com deficiência podem fazer e conquistar o que quiserem”, ressaltam.
Samanta acumula experiências em eventos internacionais: “Já participei de eventos na ONU em Nova York, no Egito, na Áustria e agora em Genebra. E também já viajei com a Fabi para o Canadá e Nova York para conhecer outros Autodefensores no mundo”.
Já para Lia, esta é a primeira vivência em um evento da ONU: “Então está sendo uma experiência nova, muito especial e cheia de aprendizados”.
Apesar das trajetórias diferentes, ambas compartilham o mesmo objetivo: ampliar o acesso à informação, fortalecer a luta por direitos e mostrar que pessoas com Síndrome de Down podem ocupar qualquer espaço: “A gente acredita que, quando estamos juntos, somos mais fortes. A união faz a força”, destacam.
Expectativas: troca, aprendizado e impacto
“Nossa expectativa é poder ampliar o diálogo e levar informações qualificadas para cada vez mais pessoas, especialmente aquelas que ainda não tiveram acesso a orientação ou conhecimento sobre a Síndrome de Down e a inclusão. Como mediadora, meu papel é facilitar a comunicação quando necessário, aproximar diferentes experiências e construir pontes entre os participantes, promovendo entendimento, respeito e troca de ideias”, salienta Fabiana.
A coordenadora complementa: “Esperamos fortalecer conexões, aprender com outras experiências e trazer novos caminhos que possam enriquecer ainda mais o trabalho que realizamos no Instituto Simbora Gente, levando nossa experiência do Brasil para o mundo”.
Para as autodefensoras do Simbora Gente, as expectativas também são norteadas por propósitos: “Minha expectativa é continuar levando informação e mostrando que a gente é capaz. Quero que mais pessoas conheçam nossos direitos e entendam melhor sobre nós. Também quero aprender, conhecer novas pessoas e representar bem o nosso grupo”, diz Samanta. Para Lia, “Eu quero aprender bastante, conhecer pessoas novas e compartilhar um pouco sobre nós. Quero ajudar a levar informação para quem precisa e mostrar que as pessoas com Síndrome de Down têm voz, podem se expressar e ocupar todos os espaços”.
Inclusão também é celebrar
Além das discussões no Conselho de Direitos Humanos, a programação inclui um baile de gala em celebração à data – um momento que, para o grupo, também carrega um significado importante.
“Mais do que uma comemoração, o encontro simboliza a inclusão em sua dimensão mais ampla: convivência, troca cultural e celebração da diversidade. É uma oportunidade de conhecer pessoas de diferentes países, aprender sobre outras culturas e criar conexões. Inclusão também é isso: celebrar juntos, reconhecendo e valorizando cada pessoa”, afirmam as autodefensoras do Instituto Simbora Gente.
Um passo a mais rumo à inclusão
A presença do Instituto Simbora Gente na ONU reforça um movimento global que ganha cada vez mais força: o protagonismo das pessoas com deficiência na construção de políticas e práticas mais justas.
Mais do que representar o Brasil, o grupo leva ao cenário internacional uma mensagem clara: inclusão não se faz apenas com discurso, mas com participação ativa, escuta e respeito à pluralidade.
E, como mostram Samanta e Lia, essa transformação começa quando as próprias pessoas com Síndrome de Down assumem o microfone, ocupam seus espaços e mostram ao mundo que suas vozes precisam – e devem – ser ouvidas!
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