Exposição “Lounge Esportivo: Tokyo 2020”, na Japan House, conta com recursos de acessibilidade

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Beth Ribeiro está em sua cadeira de rodas, entre os mascotes dos jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tokyo, na exposição da Japan House
Beth Ribeiro visita a exposição na Japan House: “os organizadores deram o mesmo peso aos Jogos Olímpicos quanto aos Paralímpicos” – foto: arquivo pessoal Beth Ribeiro

Até o dia 12 de setembro, acontece a exposição “Lounge Esportivo: Tokyo 2020” na Japan House São Paulo (JHSP). Com um espaço que proporciona uma série de atividades e oferece conteúdo sobre os Jogos Olímpicos (que aconteceram de 23 de julho a 8 de agosto; e Paralímpicos, que iniciam no dia 24 de agosto e terminam no dia 5 de setembro, em Tóquio, no Japão), o evento, além de reforçar os laços entre ambos os países, traz informações, elementos interativos e novidades sobre a organização das competições, incluindo as novas modalidades. 

E um dos principais destaques do Lounge Esportivo é a infraestrutura da exposição, totalmente acessível às pessoas com deficiência, seguindo a arquitetura de todo o prédio da instituição, inaugurado em 2017. “A acessibilidade arquitetônica do prédio da Japan House São Paulo foi contemplada desde sua concepção e inauguração, há quatro anos. Já em 2019, além de treinamentos para a equipe, adaptamos alguns recursos como os mapas táteis por andares para versões mais acessíveis e desenvolvemos outros materiais ao longo de alguns meses como a maquete tátil do edifício, além de placas táteis dos elementos arquitetônicos mais marcantes da casa, de um mapa do entorno da instituição e vídeos com libras, legendas e áudio contando mais sobre o projeto da JHSP. Em 2020, foi possível ampliar um pouco mais o programa de acessibilidade com a instalação de uma bancada acessível em cada andar expositivo; a implantação de uma plataforma WebApp com recursos em texto, audiodescrição (AD) e libras; novas adaptações arquitetônicas, além da acessibilidade digital na qual estamos trabalhando também”, explica Hiromi Saito, Supervisora de Mediação Cultural da Japan House São Paulo.

Mapa e mascotes táteis, foto: Thiago Minoru

Na bancada acessível do “Lounge Esportivo: Tokyo 2020”, os visitantes encontrarão texto informativo em dupla leitura (Braille e fonte ampliada) com código QR para acesso ao WebApp sobre a exposição, emblemas, pictogramas e objetos táteis no formato acessível (videolibras com legendas em português e audiodescrição) e textos em português, inglês e espanhol; mapa tátil também com legendas em dupla leitura (Braille e fonte ampliada) e imagens em alto relevo. As mascotes olímpicas Miraitowa e paralímpica Someity, que representam os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Tokyo 2020, também estão em formatos táteis.

O Lounge oferece ainda acessibilidade aos emblemas dos Jogos de Tokyo 2020 em relevo tátil ou por meio de códigos QR via WebApp com videolibras e audiodescrição; espaços interativos com pictogramas em relevo tátil dos seguintes esportes selecionados: skate, surfe, karatê, beisebol e softbol. Há também um espaço destinado aos Jogos Paralímpicos, com pictogramas em relevo tátil dos esportes paralímpicos (basquete em cadeira de rodas, tênis em cadeira de rodas, bocha e rúgbi em cadeira de rodas, goalball e futebol de cinco).

explicação das modalidades de forma acessível
Foto: arquivo pessoal Beth Ribeiro

A exposição oferece também sinalização podotátil para os visitantes com deficiência visual, indicando as bancadas com objetos táteis e informações acessadas por código QR. Além disso, todos os ambientes do “Lounge Esportivo: Tokyo 2020” possuem mobiliário com Desenho Universal, adaptado para pessoas em cadeira de rodas ou mobilidade reduzida, altura compatível para alcance visual de textos, etiquetas, vídeos e objetos, como também, altura compatível para alcance manual de códigos QR em relevo tátil, etiquetas em dupla leitura (Braille e fonte ampliada), emblemas, pictogramas e objetos táteis, segundo as normas de acessibilidade definidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Um dos espaços da exposição, onde vemos a bola e óculos de Goalball, a canaleta e bolas da bocha, e uma cadeira de rodas esportiva.
Foto: Thiago Minoru

De acordo com Hiromi, uma das premissas da JHSP, desde a sua concepção, é oferecer um ambiente totalmente acessível, não apenas em relação à arquitetura, mas principalmente ao que ela se refere à atitude das pessoas. “Um dos pilares de nossa atuação é o omotenashi, que é a hospitalidade japonesa com o cuidado em oferecer a melhor experiência para todos os visitantes. Por isso, acreditamos que a ‘acessibilidade atitudinal’ tem uma grande importância, independente do recurso oferecido pela instituição”, avalia.

E, para garantir a satisfação do usuário e a implantação do omotenashi, a Supervisora explica que a Japan House sempre trabalhou com consultoria e técnicos especializados em acessibilidade cultural no desenvolvimento dos projetos: “Junto à Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, da Prefeitura de São Paulo, participamos e contribuímos no desenvolvimento das edições do Festival Sem Barreiras de 2019 e 2020, juntamente com as instituições da iniciativa Paulista Cultural. Entendemos que a acessibilidade requer constante atenção e tratamos de incorporar novos recursos, além de observar a manutenção ou adaptação do que já temos a todo momento. Em relação ao projeto do “Lounge Esportivo: Tokyo 2020”, os desafios foram em entender como incorporar a acessibilidade ao projeto de forma a integrar naturalmente ao layout expositivo e que os recursos estivessem em harmonia com a proposta da exposição”.De acordo com Hiromi, para conferir a acessibilidade atitudinal, a Japan House São Paulo realiza uma série de treinamentos com o time. “Ultimamente, realizamos workshops com a equipe referentes às ampliações do programa e panorama geral, bem como oferecemos um curso sobre acessibilidade digital. Este é um assunto sempre abordado nas reuniões e definições gerais na instituição”.

Japan House, acessibilidade e visibilidade

É dessa forma que Beth Ribeiro, com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), define a Japan House ao conversar com a nossa equipe sobre a sua experiência ao visitar o “Lounge Esportivo: Tokyo 2020”: “uma amiga querida me enviou o link da exposição sobre as Olimpíadas e que teria recursos de acessibilidade. Fiquei muito interessada, pois são tantos os perrengues quando saio, que estava curiosa para saber como seria a experiência e foi muito boa! Primeiro ponto positivo, que começa já no estacionamento: em plena Av. Paulista, onde é difícil estacionar, encontramos um estacionamento no subsolo da Japan House com vaga para deficientes. 

Falando da exposição, o que ela nos proporciona é a sensação de que você foi lembrado e perceber isso é muito legal! É quando saímos da invisibilidade e sentimos a empatia ao saber que alguém se colocou em nosso lugar. Para exemplificar como a Japan House nos proporciona esse sentimento, darei alguns exemplos: há QR Code em todos os lados, você acessa e encontra toda a explicação em libras e também áudio descrição. As mesas expositoras têm altura compatível com quem está numa cadeira de rodas, é muito confortável. Há objetos táteis, quem tem alguma deficiência visual pode entender a planta de todo o lugar e também descobrir quais são as modalidades dos Jogos Paralímpicos, dentre várias outras descobertas. Tudo também tem descrição em Braille.

Apesar de não ser um tema elegante falar, que são os banheiros, não posso deixar de citar o banheiro da Japan House, que também é acessível e bem cuidado. Quem é deficiente sabe o tamanho do perrengue que é esse “tema”. 

Outra questão polêmica são as rampas de acesso, mas para visitar a exposição encontrei uma logo na entrada, nova, e sem qualquer instabilidade. 

Os mascotes são lindos, outro aspecto importante que você percebe, olhando para os dois, é que os organizadores deram o mesmo peso aos Jogos Olímpicos quanto aos Paralímpicos. 

Importante dizer da cordialidade da equipe, inclusive usando gesto japonês de cumprimentar curvando o corpo em sinal de respeito e gratidão. Agradeço à Japan House por oferecer uma exposição realmente acessível e espero que sirva de inspiração para outras iniciativas”, diz Beth.

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