
Celebrar o Dia Mundial do Braille (4 de janeiro) é relembrar a história desse sistema revolucionário, uma vez que a data é em homenagem ao aniversário de Louis Braille, que criou no século XIX o sistema que leva o seu sobrenome. Louis Braille ficou cego ainda na infância após um acidente doméstico. Foi na adolescência, aos 15 anos de idade, que desenvolveu o Braille a partir da adaptação de um sistema de comunicação tátil utilizado por soldados.
Como funciona o Braille?
O sistema baseia-se na cela braille, um espaço composto por seis pontos dispostos em duas colunas de três. A combinação desses pontos (preenchidos ou em relevo) permite criar 63 caracteres diferentes, representando letras, números, sinais de pontuação e símbolos matemáticos ou musicais.

Leitura: É feita da esquerda para a direita, utilizando uma ou ambas as mãos.
Escrita: Pode ser feita manualmente usando uma reglete e punção ou através de máquinas de escrever braille (como a Perkins).
Mais do que um método de leitura e escrita, o Braille é um instrumento de inclusão, autonomia e acesso ao conhecimento. Por isso, nesta data, é fundamental também reconhecer não apenas o sistema que transformou o acesso à leitura e à escrita para pessoas cegas, mas também os instrumentos que mantêm esse legado vivo até hoje. Entre eles, a reglete, sempre acompanhada da punção, ocupa um lugar de destaque na história e na prática do Braille.
Braille no celular?
Hoje, com as tecnologias do smartphone, o sistema Braille no celular funciona principalmente através do TalkBack (Android) e VoiceOver (iOS), oferecendo um teclado virtual na tela para digitar em Braille com seis pontos ou conectando linhas Braille físicas via Bluetooth, permitindo ler e escrever e-mails, mensagens e livros, usando funções nativas ou aplicativos de aprendizado. A configuração envolve acessar as opções de Acessibilidade do aparelho para ativar o teclado ou parear a linha Braille, sendo gratuito e integrado ao sistema.
No Android (TalkBack)
Teclado Braille: É uma função nativa que usa seis pontos na tela para digitar. Para ativar, vá em Configurações > Acessibilidade > TalkBack > Configurações > Teclado Braille e siga as instruções.
Linha Braille: Conecte uma linha física via Bluetooth em Configurações > Dispositivos conectados e, depois, em Acessibilidade > TalkBack > Configurações > Configurações da linha Braille para parear.
Observação: Para usar o teclado Braille no Android, você pode precisar desativar a extensão do TalkBack para evitar conflitos, ativando-o na seção de Configurações de Acessibilidade.
No iPhone (VoiceOver)
Teclado Braille (Braille Screen Input): A própria tela vira um teclado braille. O usuário toca com 6 ou 8 dedos (como numa máquina Perkins). Funciona com o iPhone na horizontal ou apoiado numa superfície. Dá para escrever mensagens, e-mails, notas etc.
Linha Braille: Conecte sua linha Braille sem fio via Bluetooth para navegar e ler o conteúdo da tela, com digitação em Braille (grau 1 ou 2).
O que é reglete?
Criada a partir das ideias do próprio Louis Braille, a reglete foi um dos primeiros recursos desenvolvidos para possibilitar a escrita tátil. Inspirado em uma prancha com régua contendo as células do alfabeto, Louis Braille tornou possível que cada letra fosse registrada por meio de pontos em relevo, permitindo que pessoas cegas escrevessem e lessem de forma autônoma.
Ao longo do tempo, a reglete ganhou diferentes formatos para atender a diversas necessidades: modelos de bolso, leves e portáteis; regletes de mesa, com prancha de apoio; regletes de página inteira, que ocupam toda uma folha A4; e a reglete positiva, que representa um importante avanço no processo de aprendizagem do Braille. Mesmo diante de tecnologias mais recentes, como máquinas de escrever em Braille, impressoras e softwares leitores de tela, a reglete segue sendo amplamente utilizada, sobretudo por sua praticidade, acessibilidade e facilidade de transporte.
E, mais do que um instrumento funcional, a reglete também simboliza a continuidade da cultura Braille. Muitas pessoas que aprenderam a se comunicar por meio desse sistema mantêm a prática da leitura e da escrita em Braille como forma de preservar habilidades, identidade e autonomia, mesmo com o apoio das tecnologias digitais atuais.
O que é a punção da reglete?
Punção da reglete é a ferramenta em formato de caneta usada para fazer os pontos em relevo no papel, marcando o sistema Braille, enquanto a reglete é a prancheta com as aberturas (células) onde o papel é fixado para escrever, sendo usada em conjunto para permitir que pessoas cegas ou com baixa visão leiam e escrevam. A punção, que pode ser simples ou ergonômica, cria os relevos (pontos) na folha de papel, que é colocada entre as duas partes da reglete, permitindo a escrita tátil.
Reglete x reglete positiva
O uso tradicional da reglete exige que a escrita seja feita da direita para a esquerda, já que o relevo é formado ao pressionar a punção no papel e só pode ser lido após a folha ser virada. Já a reglete positiva permite a escrita direta, sem a necessidade de inverter o papel, facilitando o aprendizado e reduzindo significativamente o tempo necessário para que alunos e professores dominem a leitura e a escrita em Braille. Suas marcações adicionais também favorecem a localização dos pontos, tornando o processo mais intuitivo para pessoas com deficiência visual.
Máquina Braille
Desenvolvida em 1951, a Perkins Brailler é a mais tradicional máquina de escrever que se tornou referência mundial por sua qualidade e eficiência na escrita Braille. E, você sabia que a Civiam foi a primeira empresa brasileira a importá-la ao país na década de 70?
Hoje também contamos com a Máquina Braille Perkins Smart, esta máquina de escrever Braille é de alta tecnologia e fornece retorno visual e de áudio juntamente com uma cópia impressa para que todos possam aprender Braille em conjunto – alunos, professores, pais e adultos.
Por isso, o Dia Mundial do Braille é um convite à reflexão sobre a importância do acesso à comunicação, à educação e à informação para todas as pessoas. Do sistema criado por Louis Braille no século XIX às tecnologias digitais presentes nos smartphones, o Braille segue evoluindo sem perder sua essência: garantir autonomia, inclusão e participação social às pessoas cegas ou com baixa visão.
Instrumentos tradicionais, como a reglete e a punção, continuam a desempenhar um papel fundamental nesse processo, não apenas como recursos de escrita, mas como símbolos de independência e preservação da cultura Braille, mas como soluções modernas que ampliam possibilidades e conectam o Braille ao cotidiano digital, mostrando que tradição e inovação podem caminhar juntas.
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