Entenda como o teleatendimento indireto torna mais eficiente a terapia a distância

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criança em sessão de teleatendimento terapêutico


Com a pandemia, os atendimentos terapêuticos tiveram que ser adaptados para o mundo on-line – uma tarefa nada fácil e nem tão simples quanto muitas pessoas imaginavam que seria apenas ligar a câmera do computador. Principalmente porque, com toda a família em casa, manter o foco do atendimento foi e continua sendo um dos grandes desafios do atendimento a distância, ainda mais no caso de pessoas com necessidades complexas de comunicação.

Os fonoaudiólogos Jill Senner e Matt Baud, dos Estados Unidos, deram várias sugestões para tornar mais efetivo o teleatendimento desde o início do isolamento social. A Clarear Fonoaudiologia, em São Paulo, ao analisar algumas dessas sugestões, adaptá-las e notar os resultados positivos nos teleatendimentos desenvolveu um tipo de atendimento chamado de indireto, que não é direto com o paciente e, sim, com os parceiros de comunicação. “Caracteriza-se pelo uso de dois equipamentos conectados ao aplicativo de videoconferência que o terapeuta usa para o teleatendimento: em um dos equipamentos (celular, tablet ou computador) fica conectado apenas o vídeo a uma distância que permita que o terapeuta veja a situação como um todo (usuário da comunicação suplementar alternativa (CSA**), parceiro de comunicação e o recurso de CSA); no outro dispositivo bloqueia-se a câmera e usa-se apenas o áudio, mantendo o mesmo conectado a fones de ouvido do parceiro de comunicação”, explica a fonoaudióloga Alessandra Gomes Buosi*, supervisora da Clarear, Mestre em Ciências da Saúde, formadora do método PODD e uma das referências em Modelagem no Brasil.

De acordo com a especialista, apesar de termos retomado o atendimento presencial para alguns casos, muitas famílias ainda estão mantendo o teleatendimento e apenas retornarão às sessões presenciais após a vacinação. A Clarear manterá o sistema até mesmo quando toda a população estiver vacinada pela praticidade que o atendimento virtual trouxe em relação à economia de tempo com o deslocamento: “Acredito que ainda assim muitas pessoas se sentirão mais seguras com o atendimento a distância e esse sistema propõe uma organização que torna possível ao terapeuta assistir a interação e orientar o parceiro de comunicação a realizar a estimulação de linguagem auxiliada por símbolos de modo mais assertivo e graças ao fone de ouvidos. Dessa forma, o paciente não se distrai ou evita a exigência de ficar atento à tela, o que muitas vezes torna-se inviável em se tratando de crianças com necessidades complexas de comunicação. Assim, treinamos o parceiro de comunicação durante a atividade de interação, o que torna as orientações práticas e pontuais. Por exemplo, no mesmo momento já conseguimos observar a resposta do usuário e redirecionar o parceiro, o que traz resultados mais eficientes. Além disso, é muito comum realizarmos atendimentos e supervisões com famílias e terapeutas de outras cidades e estados, uma outra vantagem que esse formato nos traz”, diz.

Segundo Alessandra, a estratégia foi muito importante para aqueles casos em que a criança ou o adolescente não respondeu bem ao teleatendimento direto, seja por dificuldade em manter atenção ao interlocutor, seja por questões relacionadas à interação social que acaba se intensificando nesse tipo de conexão ou pouca motivação para interagir nesse modelo.

“Quanto a adaptação dos parceiros de comunicação a esse sistema, via de regra, a maioria se adapta logo nas primeiras sessões. Para tanto, é muito importante que eles se sintam apoiados pelo terapeuta que orienta sem se sentirem pressionados ou avaliados. Tentamos deixar claro que nosso papel é conduzir as situações comunicativas de modo que estimule o usuário de acordo com as habilidades estabelecidas em um planejamento prévio baseado na avaliação fonoaudiológica. Treinamentos apenas com os parceiros também devem ser realizados para que ele chegue ao momento do teleatendimento com noções básicas relacionadas principalmente à modelagem, além do uso de dicas para estimular expressão e objetivos da intervenção. Sem esquecer, é claro, da importância em conhecer o sistema de comunicação da criança/adolescente, a localização do vocabulário e modo de operação”, ressalta a especialista.

A Clarear Fonoaudiologia realiza diversos treinamentos e workshops sobre CSA, modelagem, PODD, entre outros. Acesse: @clarearfonoaudiologia.

*Alessandra Gomes Buosi é Fonoaudióloga pela Unesp, Especialista em Voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, Especialista em Motricidade Orofacial pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem pelo CEFAC. Com Mestrado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC, a especialista tem experiência em CSA com BLISS, PECS, PCS, MAKATON, Core words e PODD. É também Membro associado do ISAAC, Supervisora da clínica Clarear e formadora do método PODD.

**Nota: Há variações em relação à comunicação alternativa. Em algumas regiões, pesquisadores e profissionais utilizam CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada), em outras, o termo mais usado é CSA (Comunicação Suplementar Alternativa). Por isso, consideramos todas as variações corretas.

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