Como a cegueira realmente é: raramente é absoluta, é um espectro

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Foto em close de um olho castanho de uma criança.

Quando a maioria das pessoas com visão pensa em “cegueira”, elas pensam em um mundo em total escuridão. Mas, isso está longe de ser verdade. Uma variedade de doenças oculares, distúrbios genéticos e defeitos congênitos, bem como o envelhecimento ou quando há uma lesão, podem interferir na visão saudável. 

E essas deficiências visuais causam impactos diferentes no campo de visão, sendo quatro delas exemplificadas abaixo:

Box preto com duas fotos iguais de uma menina segurando um brinquedo. A foto da esquerda está normal e a da direita tem uma mancha escura bem no centro da foto. Em baixo o texto "degeneração macular" e o logo Perkins school for the blind.
Box preto com duas fotos iguais de um cachorro com a língua para fora. A foto da esquerda está normal e a da direita tem várias manchas escuras espalhadas pela foto. Em baixo o texto “retinopatia diabética” e o logo Perkins school for the blind.
Box preto com duas fotos iguais de um pai e uma mãe ensinando sua filha a andar de bicicleta. A foto da esquerda está normal e a da direita tem uma mancha escura ao redor da foto. Em baixo o texto “glaucoma” e o logo Perkins school for the blind.
Box preto com duas fotos iguais de uma paisagem com um jardim e um lago. A foto da esquerda está normal e a da direita está desfocada e bem escura. Em baixo o texto “cegueira” e o logo Perkins school for the blind.

As pessoas que experimentam escuridão total o tempo todo têm “cegueira total”, enquanto aquelas que podem ver alguma luz, cores e/ou formas são comumente chamadas de “baixa visão”. Você pode ter um ponto cego ou embaçado no meio do seu campo de visão ou sua visão periférica pode ser prejudicada. Ou talvez sua deficiência visual seja uma, ou uma combinação única, de uma infinidade de outras possibilidades. Portanto, a cegueira é um espectro de deficiências visuais que afetam milhões de crianças e adultos em todo o mundo.

DVC: A principal causa de cegueira em crianças

A deficiência visual cortical/cerebral (DVC) é a principal causa de cegueira em crianças hoje.

Imagem gráfica toda craquelada nas cores azul, vermelho, verde, formando um tipo de redemoinho.
O que muitas crianças com DVC veem (não há duas crianças exatamente iguais)
Foto de uma mesa branca com cadeiras azuis e sobre a mesa bandejas vermelhas com um lanche sobre elas.
O que pessoas sem deficiência visual enxergam

Muitas vezes, as pessoas associam a cegueira com deficiência ocular – ou visual. No entanto, a DVC é neurológica. Para crianças com DVC, a conexão do olho com o cérebro não funciona corretamente. Não há cura para a DVC, mas a capacidade de uma criança de usar sua visão pode melhorar com a avaliação e programação educacional corretas.

No caso das crianças com deficiência visual, mesmo que a visão subnormal seja uma condição intermediária entre a visão normal e a cegueira, é importante que os pais entendam suas limitações, pois a correção com lentes ou óculos nem sempre é suficiente para que ela enxergue bem, mas poderá melhorar a percepção do tamanho, forma, cores e o contorno de objetos próximos ou distantes.

Por isso, no caso dessas crianças com deficiência visual, as dificuldades podem estar relacionadas com o nível de comprometimento das funções visuais e de como a criança usa da melhor forma o seu resíduo visual (o que lhe resta de visão), que podem ser:

-Redução da acuidade, perdendo a nitidez do que é observado;

-Maior sensibilidade ao contraste, deixando de reconhecer faces e o contorno das letras, de perceber os degraus de escadas, ou até mesmo quando um copo já está cheio de água;

-Desconforto visual ou menor resolução da imagem conforme a luz incide;

-Redução do campo visual (restando visão central, setorial ou periférica)

-Presença de escotomas, que são como manchas escuras dispersas que obstruem a imagem; e/ou a alterações na percepção de cores.

​O site Visão na Infância fez um experimento para mostrar, na prática, como é a visão da criança com diferentes tipos de deficiência visual:

Dessa forma, para entender quais são as dificuldades da criança e o que ela precisa para ter uma melhor qualidade de vida para as realizações das atividades diárias, bem como sua mobilidade, é preciso que ela passe por avaliação com uma equipe multidisciplinar formada por oftalmologista e optometrista.

Dependendo da avaliação, são indicados recursos que podem facilitar a rotina da criança com baixa visão, como:

Teclados adaptados

Caderno com pauta ampliada

Lupas de bolso, de página inteira e eletrônicas

Vídeo ampliadores

Há também recursos de tecnologia assistiva, como a Sunu Band, uma pulseira detectora de obstáculos que funciona como complemento à bengala e facilita na mobilidade das pessoas com deficiência visual.

Fontes:

https://www.perkins.org/what-blindness-really-looks-like/

https://www.visaonainfancia.com/como-veem-criancas-com-baixa-visao/

(https://www.visaonainfancia.com/deficiencia-visual-cortical/)

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