Fundamental no preparo de profissionais prontos para decisões que salvam vidas nas UTIs

Celebrado em 25 de janeiro, o Dia Internacional da Enfermagem em Cuidados Intensivos reforça a importância do papel do enfermeiro intensivista na assistência a pacientes em estado crítico. Inseridos em ambientes de alta complexidade, como as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), esses profissionais precisam ir além do domínio técnico e científico, reunindo raciocínio clínico apurado, equilíbrio emocional e capacidade de tomada de decisões rápidas diante de situações que envolvem risco iminente de vida. “Trata-se de um paciente clinicamente instável, cuja condição pode se alterar em questão de horas. O enfermeiro precisa identificar precocemente sinais de deterioração clínica e agir de forma assertiva, sempre pautado nas melhores práticas baseadas em evidências”, destaca Ana Carolina Bhering Alves do Amaral, coordenadora de Enfermagem do Senac São Paulo e especialista em simulação realística e segurança do paciente.
Nesse contexto, a simulação clínica consolida-se como um recurso educacional essencial na formação de enfermeiros intensivistas, ao possibilitar que o estudante vivencie, de maneira segura, estruturada e realista, desafios muito semelhantes aos da prática profissional. O Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) destaca-se como referência nacional na formação de técnicos em enfermagem e enfermeiros ao investir continuamente na qualificação de seus estudantes e na adoção das mais atuais e efetivas práticas educacionais. Em 2022 é que o Senac São Paulo passou a adotar a simulação clínica como padrão ouro de ensino, quando foi criado um grupo de trabalho formado por docentes especializados na metodologia, tendo à frente a coordenadora Ana Carolina. “A iniciativa tem como objetivo capacitar os docentes dos cursos em saúde do Senac São Paulo para o uso qualificado da simulação clínica, desmistificando que a simulação é difícil de ser aplicada em sala de aula e assegurando que a estratégia seja assimilada de forma consistente e alinhada aos objetivos de aprendizagem do Modelo Pedagógico Senac, trazendo conforto e segurança ao aluno de forma estruturada. Dessa forma, a simulação clínica potencializa a formação de profissionais de alta performance, como os enfermeiros e técnicos intensivistas para a atuação em cenários críticos com competência, sensibilidade e responsabilidade”, destaca.
Marilucia Moreira, docente do curso de Enfermagem do Senac Tiradentes, ressalta também: “A UTI é um ambiente altamente tecnológico, mas nunca podemos esquecer que estamos lidando com pessoas, não com equipamentos. Por isso, a simulação clínica praticada pelo Senac São Paulo, por meio dos cenários diversos, abrange também aspectos comportamentais, emocionais, de comunicação e de empatia – competências essenciais na atuação dos enfermeiros intensivistas”.
Enfermeiros e técnicos de enfermagem
Na enfermagem, existem duas categorias profissionais que atuam na assistência ao paciente crítico: o enfermeiro e o técnico de enfermagem, com atribuições bem definidas pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Enquanto os técnicos realizam cuidados de baixa e média complexidade e representam 40% da assistência em uma UTI, os cuidados de alta complexidade são privativos do enfermeiro e correspondem a cerca de 60% da assistência direta ao paciente crítico. “Por isso, no Senac São Paulo, a simulação é disponibilizada tanto para os estudantes da Graduação em enfermagem quanto para os técnicos, uma vez que o nosso compromisso é com a formação de excelência desses profissionais que vão compor 100% da equipe de enfermagem das UTIs”, destaca Ana Carolina.
No Senac, a graduação Bacharelado em Enfermagem tem duração de quatro anos e mais de 4 mil horas, enquanto o curso Técnico em Enfermagem dura dois anos, com 1.800 horas. “Trabalhamos com simulação clínica interprofissional para que os estudantes tenham a experiência da prática real das UTIs. Vale destacar que o enfermeiro ainda precisa, por regulamentação, ter pós-graduação específica na área de atuação, como UTI neonatal, cardiológica, neurológica, pediátrica e assim por diante”, explica a coordenadora.
A simulação como estratégia educacional
Marilucia enfatiza ainda que, de acordo com a estratégia educacional do Senac São Paulo: “A simulação clínica é disponibilizada ao estudante somente após um processo criterioso de preparação, no qual ele já teve contato com os conteúdos teóricos e práticos das disciplinas e componentes curriculares. Esse percurso garante que a participação na simulação ocorra de forma segura, consciente e alinhada aos objetivos de aprendizagem. Isso se torna ainda mais relevante porque os estudantes passam a vivenciar cenários simulados de alta complexidade, muitos deles considerados raros e que, na prática profissional, costumam ser enfrentados apenas após anos de experiência”.

Ana Carolina complementa: “Além do conhecimento técnico, os cenários simulados reproduzem situações reais das UTIs, como pacientes instáveis, agitados ou inconscientes, bem como a presença de familiares. Dessa forma, o estudante aprende a lidar com a pressão, a complexidade e o impacto emocional do cuidado intensivo. A simulação protege o aluno e, principalmente, o paciente”.
Por isso, Marilucia destaca que ao final de cada simulação, os alunos avaliam os benefícios da atividade proposta: “Eles relatam aumento significativo da autoconfiança, melhora na comunicação e maior clareza sobre suas responsabilidades frente ao paciente crítico”.
Atualmente, a simulação clínica está implantada em 15 unidades do Senac São Paulo, com equipes capacitadas e alunos vivenciando a metodologia de forma sistemática. “A meta é que, até 2027, todas as 43 unidades da instituição em São Paulo que ofertam Enfermagem utilizem a simulação clínica e todos os nossos 400 docentes estejam capacitados pelo nosso grupo de trabalho”, salienta a coordenadora.
O papel do debriefing e do cuidado humanizado
Um dos momentos centrais da simulação é o debriefing, etapa pós-simulação em que os estudantes refletem, junto ao docente, sobre suas decisões, comportamentos e resultados alcançados. “Realizado de forma estruturada, sem julgamentos e em ambiente psicologicamente seguro, o debriefing fortalece o aprendizado técnico e emocional. É nesse momento que discutimos os acertos e pontos de melhorias na comunicação, empatia, identificação correta do paciente e humanização do cuidado, mesmo quando o paciente não consegue se comunicar”, destaca Marilucia, que complementa: “A simulação trabalha, assim, competências comportamentais essenciais, preparando o futuro profissional para acolher não apenas o paciente, mas também a família, que vivencia a situação juntamente com o enfermo e, muitas vezes, acaba adoecendo junto”.
Um legado para o futuro da enfermagem
O Senac São Paulo utiliza diferentes modalidades de simulação, como simuladores de média e alta fidelidade e pacientes padronizados (atores), sempre respeitando os pilares da fidelidade ambiental, psicológica e procedimental. Para os próximos anos, a instituição prevê a ampliação dos recursos, incluindo novas tecnologias, como realidade aumentada.
Para a coordenadora, o legado da simulação vai além da formação técnica. “A educação transforma vidas, e a simulação salva vidas”, resume Ana Carolina. Ex-alunos que hoje atuam em UTIs relatam que os cenários vivenciados durante o curso foram muito semelhantes aos encontrados na prática profissional, o que os tornou mais seguros e bem-preparados.
Uma mensagem de reconhecimento
No Dia Internacional da Enfermagem em Cuidados Intensivos, a mensagem é de valorização:“Os enfermeiros intensivistas merecem respeito e reconhecimento. Trabalham por horas em ambientes de alta pressão, lidando com situações extremas e tendo que tomar decisões que impactam vidas. Por isso, que tenhamos empatia com esses profissionais e saibamos valorizá-los. Aos estudantes, que sigam firmes nessa missão de cuidar de vidas, de buscar nesses cenários críticos o cuidado com ética, empatia e compromisso, com excelência, sempre focados na segurança do paciente e também no cuidado integral da família”, afirma Marilucia.
Ana Carolina complementa: “Esses profissionais são indispensáveis no cuidado aos pacientes críticos e verdadeiramente insubstituíveis. Como diz uma campanha do Cofen da qual gosto muito: ‘onde há vida, há enfermagem’ – e isso é absolutamente real. Não existe serviço de saúde sem a atuação dos enfermeiros, que estão presentes em todas as etapas do cuidado, do nascimento ao cuidado paliativo. E, de forma ainda mais específica, não existe UTI sem enfermeiro intensivista. Diante do crescimento dos leitos de alta complexidade, o mercado demanda, cada vez mais, profissionais altamente capacitados. E essa jornada começa na escolha de instituições de ensino de referência e excelência, comprometidas com a formação técnica, humana e ética da enfermagem”.
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