
Tecnologia Assistiva é o conjunto de recursos, serviços, estratégias e práticas que têm como objetivo promover autonomia, funcionalidade e inclusão de pessoas com deficiência, idosos ou pessoas com necessidades específicas. Esses recursos podem incluir desde materiais simples e adaptações de baixo custo até dispositivos eletrônicos, softwares e equipamentos de alta tecnologia, desenvolvidos para reduzir barreiras físicas, sensoriais, comunicacionais e cognitivas. Ao possibilitar maior independência nas atividades do dia a dia, a Tecnologia Assistiva contribui diretamente para a qualidade de vida, a participação social, a educação, o trabalho e o exercício pleno da cidadania. Seu foco está em adaptar o ambiente e oferecer recursos que permitam a plena participação do indivíduo em atividades sociais, educacionais, profissionais e culturais:
- Mobilidade e locomoção: bengalas, dispositivos que indicam a direção utilizando a tecnologia gps (no caso de pessoas cegas), entre outros.
- Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA): tablets e softwares de CAA ou materiais prontos de CAA, como pranchas de comunicação, atividades de rotina, que facilitam a interação de pessoas com prejuízos na fala ou escrita.
- Auxílios para vida diária: talheres adaptados, engrossadores de lápis; materiais diversos que permitem uma comunicação rápida a pessoas com prejuízos na fala, tesouras com mola, mordedores (para alívio sensorial), caderno com pauta ampliada, abridores de potes, jogos e esportes adaptados (como bola com guizo), livros em braille, entre muitos outros que permitem a participação da pessoa em tarefas básicas com mais autonomia.
- Acessibilidade digital: teclados adaptados, acionadores que permitem o usuário acessar o computador a partir do clique do mouse; controle ocular (dispositivo que lê o movimento dos olhos para pessoas com mobilidade reduzida, devolvendo a elas o acesso ao computador para socializar e trabalhar), entre outros.
- Visão e audição: calculadora sonora, sorobã, reglete (para a escrita em Braille), materiais em libras, entre outros.
Por isso, a TA é uma área do conhecimento de caráter interdisciplinar, que envolve educação, saúde, tecnologia, design e políticas públicas. No cotidiano, a Tecnologia Assistiva pode estar presente em recursos simples, como materiais impressos, folhas com pauta ampliada, bengalas, lupas, talheres adaptados, cadeiras de rodas, assim como em soluções mais complexas, como softwares e tablets de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), controle ocular (também chamado de rastreador ocular), acionadores diversos (para brinquedos, eletrodomésticos ou para acionar o computador) e sistemas de automação acessível.
Os tipos de Tecnologia Assistiva
Baixa tecnologia
Os recursos de baixa tecnologia são aqueles que, geralmente, não apresentam nenhum item componente eletrônico, não requer por exemplo pilhas e baterias – por isso têm um baixo custo e são mais facilmente encontrados no mercado.

Exemplos: pranchas de comunicação alternativa, compostas por desenhos ou figuras, que podem ser montadas de forma manual, a partir de recortes colados em papel ou podem ser desenvolvidas por meio de softwares e então impressas. Bengalas, lupas e itens adaptados, como engrossadores de talheres e lápis, cadernos com pauta ampliada, andadores, mesa escolar adaptada, sorobã e regletes são também exemplos de recursos de baixa tecnologia.
Média tecnologia
Já os recursos de média tecnologia, apresentam algum tipo de eletrônica e maior funcionalidade que os de baixa tecnologia. Ainda assim, são simples de serem usados e configurados.

Exemplos: acionadores (que funcionam como o clique do mouse para o acesso ao computador ou para acionar brinquedos adaptados), que podem ser de diversos modelos, a depender da necessidade do usuário – acionador de pressão (toque), de movimento da bochecha ou dos pés, pelo movimento de cabeça, por mordida, por sopro, por piscada, entre outros; e vocalizadores (que, dependendo do modelo, permitem a gravação de inúmeras mensagens de voz, facilitando a comunicação do usuário). São indicados normalmente para pessoas com mobilidade reduzida ou coordenação motora fina prejudicada, e para quem tem necessidades complexas de comunicação. As lupas eletrônicas e os vídeo ampliadores também são recursos de média tecnologia, indicadas para pessoas com deficiência visual.
Alta tecnologia
Os recursos de alta tecnologia caracterizam-se pelo uso de componentes eletrônicos avançados e por um maior nível de complexidade, tanto em relação à tecnologia empregada quanto à adaptação exigida do usuário. Em geral, apresentam menor disponibilidade no comércio e custos mais elevados quando comparados aos recursos de baixa e média tecnologia.
Essas características se justificam pelo alto grau de desenvolvimento da engenharia envolvida, voltada a ampliar significativamente a autonomia, a funcionalidade e a qualidade de vida das pessoas que os utilizam, por meio de soluções que incluem, entre outros aspectos:
- Materiais avançados: utilização de ligas de alumínio especiais ou até mesmo fibra de carbono para criar estruturas leves e duráveis.
- Inovações em baterias e motores: proporcionam maior duração e autonomia.
- Interfaces inovadoras de usuários: como o controle pelo movimento dos olhos, como o caso dos rastreadores (ou controles) oculares.
- Design ergonômico: assentos e encostos anatômicos, muitas vezes com tecidos que facilitam a transpiração e opções de amortecedores para maior conforto.

Exemplos de recursos de alta tecnologia: softwares e tablets de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA), controle ocular (para acesso ao computador por meio do movimento dos olhos, permitindo que pessoas com mobilidade reduzida continuem trabalhando e se comunicando), máquinas tecnológicas de escrever em Braille, que apresentam retorno em voz, entre outros.
Como escolher o melhor recurso de Tecnologia Assistiva?
A indicação deve, sempre que possível, ser feita por uma equipe multiprofissional (como terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, educadores, entre outros), que levará em conta os seguintes pontos:
Necessidades do usuário – o primeiro passo é compreender as limitações, habilidades, potencialidades e objetivos da pessoa. É essencial considerar aspectos físicos, sensoriais, cognitivos, comunicacionais e emocionais, respeitando a singularidade de cada usuário.
Avaliação do contexto de uso – o recurso será utilizado em casa, na escola, no trabalho ou em diferentes ambientes? As condições do espaço, a rotina, as demandas diárias e o apoio disponível influenciam diretamente na escolha e na eficácia da tecnologia assistiva a ser escolhida.
Priorização da funcionalidade e da autonomia – o recurso deve facilitar a realização de atividades e promover independência, e não gerar novas barreiras. Nem sempre a tecnologia mais avançada é a melhor opção; muitas vezes, soluções simples e bem ajustadas são mais eficientes.
Considerar a adaptação e a usabilidade – é importante avaliar se o usuário consegue aprender a usar o recurso, se ele é confortável, seguro e se pode ser incorporado à rotina de forma natural. Treinamento e acompanhamento também fazem parte desse processo.
Análise de custo, manutenção e durabilidade – além do valor inicial, devem ser considerados custos de manutenção, necessidade de atualizações, reposição de peças e vida útil do recurso, garantindo sua sustentabilidade a longo prazo.
Direito à Tecnologia Assistiva
A Tecnologia Assistiva é um instrumento fundamental para a inclusão social e a garantia de direitos. Ao eliminar barreiras e ampliar possibilidades, ela contribui para uma sociedade mais acessível, equitativa e humana. Investir em Tecnologia Assistiva é investir em participação, cidadania e qualidade de vida para todos.
No Brasil, a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) garante, no Capítulo III – Da Tecnologia Assistiva), o acesso aos recursos e serviços de TA para maximizar a qualidade de vida do cidadão. Para isso, há uma linha de crédito do Banco do Brasil que tem como objetivo financiar a compra de produtos e serviços de tecnologia assistiva para pessoas com deficiência, como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, órteses, próteses, andadores, adaptações em imóvel residencial, entre outros produtos de tecnologia assistiva. O crédito facilitado tem os juros subsidiados pelo governo federal e isenção do Imposto sobre Operações Financeiras. Para mais informações, acesse:


