Dia das Mães: quando o sonho de ser mãe é maior do que a deficiência

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Como forma de homenagear todas as mamães com deficiências, compartilhamos duas histórias inspiradoras: Andrea Schwarz, 44 anos, empresária, paraplégica, é mãe de dois meninos; e Nathália Santos, jornalista e influencer, é cega e será mãe do Davi, que nascerá no final de agosto ou início de setembro.

andrea jogando videogame com seus dois filhos
cena da campanha de Dia das Mães das lojas Renner com Andrea Schwarz e seus dois filhos

Andrea Schwarz

Não é à toa que Andrea Schwarz, 44 anos, está na campanha deste ano de Dia das Mães das lojas Renner: ela é um exemplo de superação ao ter realizado – duas vezes – o sonho de ser mãe, superando sua condição de paraplégica. É também uma das maiores vozes na inclusão de pessoas com deficiências no mercado de trabalho, eleita LinkedIn Top Voices 2019, título de reconhecimento da plataforma pela sua atuação na sociedade por meio de sua empresa de recolocação, a iigual Inclusão e Diversidade.

Por conta de uma má-formação congênita na medula espinhal, Andrea, no auge da sua juventude, aos 22 anos, tornou-se paraplégica da cintura para baixo. O apoio da mãe foi fundamental, que fez um pacto com ela para que conseguisse superar sua nova vida sem ficar comparando com o antes da doença: “primeiro a gente vai andar pra frente, sem olhar pra trás. E quando você estiver preparada e madura, você vai conseguir encarar sua vida”. E, claro, o apoio do namorado na época, que tinha 20 anos, hoje atual marido, Jaques Haber, foi uma de suas maiores provas de que com amor tudo é superável. “Não importa se você está de pé, sentada ou deitada. Para mim você é a mesma Andrea e eu te amo!”, foi o que disse Haber à Andrea ainda no hospital ao descobrir que não mais andaria.

E, assim, ambos iniciaram uma vida de muita parceria, tanto no amor como profissionalmente: em 2001 lançaram o Guia São Paulo Adaptada, a primeira obra do casal sobre acessibilidade de estabelecimentos e serviços, e em 2002 se casaram.

O sonho da maternidade era um mito para Andrea que, após pesquisar sobre o assunto e conversar com o seu médico, percebeu que a barreira era muito mais uma questão de falta de informação, principalmente porque no Brasil não eram relatados casos de grávidas cadeirantes, do que realidade. “A sociedade não entende que uma mulher paraplégica pode ter uma vida normal, ter vaidades, namorar, casar, ter filhos, trabalhar. As pessoas acham que a vida de uma cadeirante acabou, por isso é preciso quebrar esses paradigmas que são preconceituosos. Eu sou como qualquer mulher, tenho minhas vaidades, cuido da casa, dos meus filhos, gosto de viajar”, diz.

A maternidade foi planejada e, quando tinham quatro anos de casados, resolveram ter o primeiro filho, Guilherme. Andrea, com 30 anos na época, teve um acompanhamento minucioso da obstetra. O parto não foi uma experiência fácil, segundo relata a empresária, principalmente porque ela não podia tomar anestesia na coluna, mesmo sendo cesárea, por conta de sua condição e ainda recusou a tomar geral porque queria muito ver seu filho nascendo. Dessa forma, ela escolheu um parto sem anestesia, mas conseguiu superar a dor: “Quando é importante pra gente, não há limites para o nosso corpo”. E, assim, ela repetiu a experiência com o segundo filho, Leonardo, aos 32 anos. “Para ser justa e igual com o parto do Guilherme, resolvi seguir sem anestesia geral, mesmo já sabendo o que enfrentaria. Tanto é que o assistente do anestesista desmaiou na sala, porque não entendia como conseguia suportar tanta dor”, diverte-se.

Entre os legados que Andrea quer deixar para os filhos, a empresária diz que os declarou em seu discurso no ano passado no bar mitzvah de Guilherme, cerimônia judaica que marca a passagem de um garoto à vida adulta aos 13 anos: “que se mantenham relevantes na vida e tenham mente aberta, que estejam sempre abertos para o novo, porque os nossos julgamentos fecham suas portas”. 

E complementa: “Se eu conseguir passar esses valores, parte da minha missão estará cumprida. Eles têm uma história de vida diferente de outras crianças e isso é uma oportunidade para eles”.

Observação: texto baseado nas fontes abaixo:

Programa Qual o seu Sonho: https://www.youtube.com/watch?v=MCe7DeJFJR4

Live: https://www.youtube.com/watch?v=ykMTnHaacDU

Revista Crescer: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI304091-10497,00-DOSE+EXTRA+DE+CORAGEM.html


Nathalia Santos e sua mãe Claudia no chá de revelação do seu primeiro filho
Nath e sua mãe Claudia no chá de revelação do sexo do bebê

Nathália Santos

Em cima de um carro alegórico, a sua gravidez foi anunciada ao Brasil por Preta Gil, no Bloco da Preta, durante o Carnaval deste ano no Rio de Janeiro. Nathália Santos, 27 anos, jornalista e influencer, é cega e será mamãe do Davi, que nascerá no final de agosto ou início de setembro e terá como madrinha a cantora, filha de Gilberto Gil.

Apesar de não ter planejado a gravidez para este ano, Nathália diz que sempre teve a certeza que nasceu para ser mãe. A descoberta que seu sonho estava no início da sua realização se deu quando a influencer começou a enjoar com suas comidas favoritas, o que a levou a procurar um teste de farmácia, juntamente com seu noivo, Lucas Santos. Ao dar positivo, repetiu o teste, agora com display digital, que comprovou a gravidez. Com essa experiência, ela faz um alerta aos fabricantes quanto à acessibilidade: “Nenhum teste de gravidez atende todas as mulheres, a partir do momento que o resultado é apenas visual e não permite, assim, que uma cega consiga descobrir sozinha se está grávida ou não”.

Nathália diz que já parou para pensar sobre todos os desafios como mãe cega, além das preocupações de toda mulher que são inerentes à maternidade. “É uma responsabilidade imensa, mas se eu for um terço do que minha mãe foi pra mim e do que minha avó foi pra ela e todas as mães que passaram pela minha vida, já estarei muito feliz”.

A influencer diz que os hormônios da gravidez, juntamente com a situação pandêmica atual, têm sido um dos grandes desafios emocionais que ela enfrenta diariamente. “Precisei aprender a lidar com esse isolamento nesse momento da gravidez, como, por exemplo, não estar próxima de amigos, familiares e equipe de trabalho. Tenho buscado me isolar ao máximo, até mesmo me mantendo longe das redes sociais e das informações. Procuro respeitar minhas emoções, externalizando os sentimentos. Se tenho vontade de chorar, choro tudo, busco cuidar de mim, da minha alimentação, tomo um banho quente, converso com meu companheiro e com minha mãe, escrevo, que é algo que gosto muito. São ferramentas que utilizo e têm me ajudado bastante”.

Antes mesmo da notícia da gravidez, os planos de casamento de Nathália e Lucas estavam previstos para este ano, mas foram adiados por conta do cenário atual causado pela quarentena, que tem dificultado até mesmo a compra dos itens do enxoval de Davi. 

Para as mulheres que têm alguma deficiência e têm a vontade de serem mães, Nathália aconselha: “Claro que nós temos nossas limitações que exigirão adaptações à condição de ser mãe. Mas não desistam dos seus sonhos por conta de uma deficiência. Lembrem-se que a incapacidade está na cabeça das pessoas sem deficiência que acreditam que somos incapazes”, finaliza.

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