Dia Mundial do Braille: projeto Enxergando o Futuro ensina gratuitamente o Braille de forma online

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pra cego ver: Daniela, uma moça loira de cabelos cacheados, usando um vestido estampado, está sentada em uma mesa de madeira e sobre ela está com as mãos em umas pranchas com tampinhas de garrafa e bolinhas, que simulam as letras em braille.
Daniela Reis Frontera, idealizadora do projeto “Enxergando o Futuro”.

Hoje, dia 4 de janeiro, é comemorado o Dia Mundial do Braille, sistema de leitura e escrita desenvolvido em 1825 e utilizado pelas pessoas com deficiência visual no mundo todo. O dia foi escolhido em homenagem ao inventor do método, Louis Braille. “É uma data muito especial para nós, do projeto ‘Enxergando o Futuro’. Afinal, foi a partir dessa maravilhosa ferramenta de inclusão e autonomia que desenvolvemos uma metodologia própria e gratuita, que alfabetiza deficientes visuais pela plataforma on-line em todo o Brasil”, comemora a idealizadora do projeto e empresária, Daniela Reis Frontera.

Aos 23 anos, ela recebeu o diagnóstico de retinose pigmentar, uma doença degenerativa sem cura e sem tratamento. O agravamento da sua condição visual fez com que Daniela, aos 43 anos, procurasse o aprendizado do Braille, mas a dificuldade em encontrar profissionais aptos no ensino do sistema a fez idealizar o projeto Enxergando o Futuro. “Eu fiquei mais de um ano procurando profissional para me ensinar a me alfabetizar em Braile, mesmo pagando. Então isso ficou realmente dentro do meu coração, por isso que eu idealizei o projeto para multiplicar o aprendizado para outras pessoas”, explica

Hoje, aos 48 anos e com 20% da visão, ela mantém três farmácias de homeopatia em três cidades do interior, é paratleta e concilia as atividades empresariais, o esporte e o projeto.

“Com a tecnologia, eu trabalho e acompanho bastante o projeto de forma online. Mais especificamente, reservo o meu tempo da noite ou do final da tarde para o Enxergando o Futuro, enquanto durante o dia me dedico às farmácias e ao esporte”, conta.

Quanto à dificuldade em encontrar profissionais especializados no ensino do Braille, Daniela acredita ser a falta de capacitação um dos grandes motivos. “E também não tem muita divulgação e  incentivo aos profissionais. Por isso, o objetivo do projeto é realmente brailetizar essa galera toda e transformar o Braille em uma língua nacional, sonho esse que tenho e que para que seja realizado eu venho fazendo minha parte”, explica. 

A empresária diz também que um dos entraves ao aprendizado do Braille pelas pessoas com deficiência visual é que a maioria se acomoda: “Com a acessibilidade à tecnologia que temos hoje, muitas pessoas com deficiência visual acabam deixando o Braille de lado. E isso não é correto porque a alfabetização é você aprender a  ler, pois no momento que você perdeu a visão, é apenas o Braille que você terá para continuar lendo e como escrever corretamente, como separar as sílabas, acentuá-las, como colocar a pontuação correta. E só a tecnologia não faz isso pra gente, né? Então, eu penso que principalmente as pessoas que nascem com deficiência visual têm que ser alfabetizadas em Braille, porque elas não vão aprender apenas ouvindo. A pessoa deve buscar ser um profissional capacitado na profissão que escolher e acredito ser o Braille um dos pré-requisitos para que tenha sucesso na carreira desejada. Dessa forma, penso que nós temos que ter três pré-requisitos para o nosso sucesso em todos os âmbitos: o Braile, a tecnologia acessível e a mobilidade.

pra cego ver: Daniela utiliza tampas de garrafa e bolas de gude em cima de EVA como material para aprendizado Braille.

Dani explica ainda que a plataforma do projeto “Enxergando o Futuro” é pioneira  no ensino a distância do Braille. “Antes da pessoa entrar nas aulas, orientamos para a confecção do material (com itens recicláveis) em sua casa, porque o aprendizado do Braille precisa ser tateado. Assim, quando ela participa das aulas, ela precisa mostrar para nós, professores, por meio de fotos e vídeos, que está posicionando e tateando corretamente. Por isso que o projeto deu muito certo”, esclarece. De acordo com ela, na segunda etapa das aulas, o aluno aprende a forma da escrita utilizando as regletes, para que aprendam a escrever pelo negativo. Caso o aluno não tenha condições de adquirí-la, a reglete é doada pelo projeto.

Os interessados em aprender o Braille de forma online com o projeto Enxergando o Futuro, devem fazer a inscrição pelo site https://cursos.enxergandoofuturo.com.br ou pelo WhatsApp (14) 99740-8217/9977-1311.
Hoje, o projeto conta com cinco professores pedagogos voluntários no ensino do Braille e quem tiver interesse em se tornar também um colaborador, basta entrar em contato pelo site.

pra cego ver: mulher loira de cabelos enrolados, usando vestido de alcinha estampado, está de braços cruzados e sorrindo para câmera. Atrás dela vemos uma planta decorativa e uma parede amarela.

Daniela deixa ainda uma mensagem a todas as pessoas que estão perdendo a visão ou que já perderam ou que nasceram com a deficiência visual: “A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional, então a gente tem que enfrentar, aceitar uma nova realidade. Eu digo nesse Dia do Braille que é indispensável a alfabetização em Braille das pessoas com deficiência visual – vocês têm a oportunidade de aprender e de serem alfabetizadas no Braille, que é a nossa cartilha, através do projeto “Enxergando o Futuro”, que é gratuito e alfabetiza pessoas do mundo todo numa plataforma acessível e, além disso, com todo o nosso acolhimento. Então, aproveite a oportunidade e venha aprender o Braille, que é um dos pré-requisitos pra você ser um bom profissional, capacitado a ter um futuro com mais autonomia na sua vida. Sem contar que o Braille realmente é encantador, a história do Luiz Braille é fantástica e a gente tem que se espelhar nesse grande homem que ele foi e aprender o seu método”, finaliza.

Nesta quinta-feira, 6/1, às 19h, em comemoração ao Dia Mundial do Braille, a Civiam fará uma live pelo Instagram com a participação especial da empresária e idealizadora do projeto Enxergando o Futuro, Daniela Reis Frontera. Participe!

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