Moda inclusiva para pessoas com mobilidade reduzida

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composição de 3 fotos: foto esquerda: Rapaz moreno em sua cadeira de rodas vestindo conjunto de moletom cinza. Na direita: uma foto acima com o mesmo rapaz deitado em uma maca e um cuidador está abrindo o zíper que tem na manga do moletom, abaixo um desenho do projeto deste moletom, descrevendo o fincionamentos dos zíperes nas mangas.

Quando se une talento e propósito é que nasce uma missão de vida. Assim é a Freeda Moda Inclusiva, uma marca de roupas que tem o objetivo de facilitar o vestir de pessoas acamadas, cadeirantes ou com mobilidade reduzida.

A Freeda foi idealizada por Santuza Prado, que tem um sobrinho, o Gustavo, com uma doença degenerativa (Niemann-Pick Tipo C), que leva ao surgimento de sintomas como, dificuldades na coordenação motora, perda de força muscular, convulsões, dificuldades para engolir e respirar, perda da capacidade mental, entre outros.

Os primeiros sinais da doença apareceram quando Gustavo tinha 7 anos de idade e, com o passar dos anos, o avanço dos sintomas e as dificuldades ficando cada vez maiores durante a troca das roupas – ele chegou a convulsionar em média 18 vezes ao passar uma blusa pela cabeça, por exemplo – Santuza, figurinista e atuante no mercado de moda há 23 anos, viu a necessidade de desenvolver algo que pudesse não apenas amenizar tal sofrimento, mas também aliviar os esforços dos pais e enfermeiros.  

“Vendo toda a dificuldade, comecei a rabiscar ideias que pudessem ajudar na questão da troca da roupa. E então, comecei a pesquisar e cheguei ao desenvolvimento de uma peça, que levei para ele experimentar: a coloquei em cima da cama e quando ele saiu do banho com meu irmão empurrando o guindaste que usávamos para transportá-lo, afinal, ele já tinha 20 anos, 80kgs e 1,89m, eu disse: pode descê-lo na cama que eu faço todo o procedimento. Estava meu irmão, minha cunhada e a enfermeira no quarto. Quando acabei de fazer a higienização, fechei a roupa como um envelope, sem mexer no Gu. Estavam os três chorando e, nessa hora, a enfermeira me falou: ‘você vai salvar não só seu irmão, sua família, mas nossa classe da área de saúde toda. Não pare por aí não’. E foi aí que eu tive certeza que meu propósito de vida era aquele. Depois disso, conversei com uma amiga enfermeira geriatra, Raquel Azevedo, que me alertou da necessidade de roupas adaptadas que pudessem facilitar o dia a dia não apenas de pessoas como o Gu, mas idosos com mobilidade reduzida. E aí eu não parei mais, mesmo”, explica Santuza. 

Transformando a ideia em negócio

foto de Juliana e Santuza em fundo cinza

E então, a figurinista convidou a cunhada, a produtora cultural Juliana Sevaybricker, para empreender na Freeda, nome escolhido como referência à pintora mexicana Frida Kahlo, que teve uma vida cheia de desafios na saúde, como a poliomielite na infância; um grave acidente aos 18 anos, deixou-a entre a vida e a morte, com muitas fraturas e sequelas. 

A marca é sediada em Belo Horizonte e em 2020 a Freeda Moda Inclusiva abriu as portas ao mercado por meio de uma loja virtual. “Foram dois anos de pesquisa de modelagens e funcionalidades, fazendo protótipos e entendendo esses  corpos e necessidades que são muito diferentes entre si. Perdemos várias peças até chegarmos nos produtos finais para serem comercializados, pois a falta de referenciais de modelagem e  de peças pensadas para pessoas com mobilidade reduzida nos obrigou a começar do zero. O que se encontra no mercado são roupas sem nenhum design de moda e com funcionalidades muito próximas àquelas que se usam nos hospitais. Além disso, explicar para as costureiras que cada detalhe tinha um motivo, uma funcionalidade foi um grande desafio. Fizemos ainda diversas pesquisas sobre as mobilidades reduzidas e principalmente sobre a qualidade dos tecidos e aviamentos, que precisam ser muito macios para evitar escaras, confortáveis, além de facilitar a transpiração e terem uma sensação térmica agradável”, explica a figurinista.      

As empreendedoras fizeram ainda diversas reuniões com associações de cadeirantes, pessoas com Mal de Parkinson, Alzheimer, geriatras, enfermeiros, cuidadores e idosos. “As pessoas com quem conversávamos e fazíamos reuniões nos traziam as dificuldades, eu esboçava a ideia no papel, fazíamos os protótipos e levávamos para testar com essas pessoas com mobilidade reduzida. Batemos muita cabeça até chegar onde estamos hoje”, diz Santuza.

Além disso, a marca pensa também na questão da autoestima e as peças são desenvolvidas com cores e design de moda para que não tenham ‘ar hospitalar’. “Para as roupas de idosos, buscamos inspiração em uma marca de roupas do exterior chamada Silverts.  A Tommy Hilfiger também é uma de nossas inspirações para a criação de algumas peças pensadas para o público de mobilidade reduzida”, revela a tia do Gustavo. Segundo Santuza, a Freeda Moda Inclusiva busca, sempre que possível, matérias-primas  que vêm de práticas de sustentabilidade e que trazem menor impacto ao meio ambiente. Hoje a marca conta com 17 peças e a ideia é aumentar a coleção e alcançar quem realmente precisa dos produtos. “Pensamos ainda em fazer parcerias com hospitais e clínicas de repouso, inclusive com roupas customizadas para esses espaços. A pandemia atrasou muito nosso contato com esses lugares e com as pessoas”, diz Santuza.

De acordo com ela, os planos para este ano são bastante promissores. “Queremos alçar voos altos e chegar até as pessoas que precisam das nossas peças em todo o território nacional, pois elas não sabem da existência de uma moda pensada para as suas necessidades. Em geral, elas se viram com adaptações caseiras; nunca vivenciaram essa experiência de um produto com design pensado para as suas necessidades e que amenizam suas dificuldades no momento de se vestirem. A Freeda Moda Inclusiva veio para ser uma aliada dessas pessoas para trazer uma melhor qualidade de vida”.

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