Jogos em casa: uma forma leve de aprender em meio à pandemia

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criança brincando com jogo de encaixe, com suporte de pictogramas

A diversão é um ingrediente poderoso no ensino das crianças, que aprendem de forma mais fácil brincando, principalmente no caso de crianças com necessidades complexas de comunicação que estão aprendendo a linguagem por meio da Modelagem – um método que consiste em apontar um símbolo de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)** enquanto se fala. Assim, a criança entende e aprende aquela palavra que está sendo ensinada por meio de um ‘modelo’ a ser seguido.

“Brincadeiras interativas oferecem oportunidades agradáveis para as crianças se comunicarem, ainda mais neste momento de pandemia, onde todos estão dentro de casa. Aproveite o isolamento para criar jogos e usar a diversão para amenizar o fato de não poder sair – que nem sempre a criança aceita. E para que os parceiros de comunicação tenham a oportunidade de modelar de forma funcional e natural. Essa prática de ensino de apontar para um ou mais símbolos-chave enquanto fala também é conhecida como estimulação de linguagem auxiliada. Há diversas pesquisas que apoiam os benefícios da modelagem para ajudar as pessoas com necessidades complexas de comunicação a aprender a usar símbolos para se comunicar e tudo isso pode ser aplicado em brincadeiras divertidas”, explica a fonoaudióloga Valeria Santos*, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista (TEA), especialista em Neurociências, com qualificação profissional em uso terapêutico de tecnologia assistiva.

Criança pegando bolinha dentro de um pote para jogar. Em cima da mesa as instruções em pictogramas.
5 patinhos de brinquedo em cima de uma mesa e ao lado um botão com um pictograma da palavra "mais"

Segundo a especialista, uma forma de amenizar os impactos do isolamento social é utilizar a brincadeira com os jogos para estimular a criança a continuar o aprendizado dos atendimentos fonoaudiólogos on-line. “E para proporcionar amplas oportunidades para um envolvimento significativo através da comunicação alternativa, o ambiente deve estar adaptado para promover oportunidades de comunicação. Os símbolos devem ficar sempre visíveis e disponíveis para o usuário, principalmente em ambientes onde a criança fica durante mais tempo, por exemplo, na cozinha: podemos deixar os símbolos como: abrir, fazer, pegar, mais, comer, beber, que são palavras essenciais e de alta frequência na nossa fala. Assim, os parceiros de comunicação têm diversas oportunidades de modelar em interações naturais, inclusive durante os jogos”, orienta Valeria.

Valéria veste um avental de comunicação alternativa e está com um fantoche da Pepa na mão.

De acordo com a fonoaudióloga, a Modelagem pode ocorrer em qualquer brincadeira ou jogo: “brincadeiras que envolvem trocas de turno onde cada pessoa tem a sua vez, são ótimas para ensinar algumas palavras essenciais, além de estimular a imitação, aumentar o tempo de espera e proporcionar maior interação”. A especialista explica que um dos erros mais comuns na modelagem é cobrar que a criança imite os parceiros de comunicação, mas ela alerta: “a criança não precisa imitar você! Comunicação não é imitação, é troca. Pode ocorrer do usuário de CAA não responder ao modelo que foi fornecido. Então, podemos modelar uma palavra e, em seguida, podemos fazer uma pausa para dar-lhe tempo para assumir sua vez. Se ele, ainda assim não responder, podemos modelar as próximas palavras e continuar a atividade. Alguns usuários de CAA precisam ver e ouvir palavras muitas vezes antes de começarem a usar para se comunicar conosco”, esclarece.

Tipos de brincadeiras

Para Valeria, brincadeiras com blocos de montar, miniaturas, pula pirata, quebra gelo, entre outros, são ótimos recursos para modelar. “Durante suas interações, posicione-se de frente para criança e próximo ao nível dos olhos para que seja mais fácil para seu filho ver e ouvir você. Quando modelar, coloque os símbolos próximo dos olhos ou da boca. Imitar os sons e brincadeiras de seu filho irá encorajar mais vocalização e interação e também incentiva seu filho a copiar você e se revezar. Certifique-se de imitar a forma como seu filho está brincando, desde que seja um comportamento positivo. Por exemplo, quando seu filho rola um carro, você rola um carro. Se ele bater com o carro, você também bate no seu”, orienta.

De acordo com a especialista, gestos e contato visual podem construir uma base para a linguagem e servem de incentivo às crianças durante a modelagem na brincadeira.  “Use seu corpo e sua voz ao se comunicar, por exemplo, estendendo sua mão para apontar quando você diz “olhe” e balançando a cabeça quando disser “sim”. Use gestos que sejam fáceis para seu filho imitar”

Valeria diz que é preciso também saber quando é a hora de parar a brincadeira ou de trocar o jogo: “Durante os jogos ou brincadeiras é importante observar os comportamentos da criança e ver se o desafio está adequado para a idade e habilidades da criança. Se ela demonstrar desinteresse ou comportamento de fuga, talvez seja a hora de trocar de jogo, e é muito importante ter sempre um símbolo que permita a criança pedir para encerrar a atividade ou trocar por outra, ajudando-a a comunicar o que deseja de forma funcional, sem a necessidade de usar comportamentos inadequados”

A especialista criou o vocabulário essencial de símbolos para jogos e brincadeiras para você fazer o download e utilizar com seu filho:

E se você já utilizou todos os tipos de jogos da sua casa e está sem criatividade, a especialista pode te dar uma mãozinha: ela atende famílias virtualmente, além de compartilhar em seu Instagram @fga.valeriasantos diversas dicas de estratégias de linguagem, de aplicativos de CAA, jogos e brincadeiras. Oferece também supervisão em Comunicação Aumentativa e Alternativa a profissionais da área da saúde e parceiros de comunicação e ministra o curso Capacitação em Comunicação Alternativa. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone: (31) 97364-9096 ou pelo link da bio do Instagram.

foto da Valeria Santos olhando para a câmera

*Valeria Santos é Fonoaudióloga, pós-graduada em Transtorno do Espectro Autista, especialista em Neurociências, tem qualificação profissional em uso terapêutico de tecnologias assistivas: direitos das pessoas com deficiência e ampliação da comunicação, e formação em Core Words pelo Center for Literacy and Disability Studies, a unit in the Allied Health Sciences Department at the University of North Carolina at Chapel Hill.

Contato: [email protected] 

Instagram: @fga.valeriasantos

**Nota: Há variações em relação à Comunicação Alternativa. Em algumas regiões, pesquisadores e profissionais utilizam CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada), em outras, o termo mais usado é CSA (Comunicação Suplementar Alternativa). Por isso, consideramos todas as variações corretas.

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