CAA: ferramenta essencial na comunicação de pacientes com COVID-19 em UTIs

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Terapeuta Ocupacional intermediando a comunicação de um paciente internado na UTI com prancha de comunicação do alfabeto e ponteira a laser para cabeça
Patrícia Santos de Oliveira Coelho, Terapeuta Ocupacional da prefeitura do Rio de Janeiro, durante pesquisa realizada em 2018/2019


A situação pandêmica causada pela COVID-19 acendeu um alerta quanto à dificuldade da comunicação dos pacientes em estado mais grave em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). “A internação de pessoas com coronavírus em uma UTI exige, em muitos desses casos, suporte de oxigênio e, por vezes, Ventilação Mecânica Invasiva (VM). Além dessas medidas clínicas, verificamos na nossa prática que outras características como delirium, fadiga e dispneia dificultam ainda mais a comunicação oral do paciente. Esses fatores influenciam diretamente na qualidade do seu relacionamento com a equipe de saúde, o que torna difícil o seu acompanhamento e a realização de intervenções clínicas e reabilitadoras”, explica Patrícia Santos de Oliveira Coelho, Terapeuta Ocupacional da Prefeitura do Rio de Janeiro. 

“Essas barreiras comunicativas provocam sentimentos de ansiedade, estresse e frustração e interferem na implementação de diretrizes mundialmente discutidas para a melhora do processo de cuidado do paciente com a COVID-19. Para mitigar essa situação, os hospitais devem fornecer recursos de Comunicação Alternativa e Ampliada (CAA) para facilitar a sua comunicação”, diz a especialista. 

Ela faz parte de um grupo de pesquisas, denominado “Terapia Ocupacional e Tecnologia Assistiva em diferentes contextos”, liderado por docentes do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2016 a equipe estuda a introdução da tecnologia assistiva no contexto hospitalar com o projeto “Comunicação Alternativa em Hospitais: Levantamento de vocabulário para uso no ambiente hospitalar”, aplicado no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF/UFRJ). O estudo já resultou na produção de mais de 100 pranchas de CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada) e levou em consideração as especificidades relacionadas às possibilidades de aplicabilidade para o SUS, às condições clínicas dos pacientes e aos aspectos culturais da população brasileira.

Aliando esse estudo a outra pesquisa aplicada pelo grupo em 2018 e 2019, intitulada “Comunicação Alternativa e Ampliada como estratégia de intervenção terapêutica ocupacional em uma UTI geral”, também no HUCFF/UFRJ, é que a equipe, percebendo a demanda por CAA nas UTIs por conta de pacientes infectados pelo novo coronavírus, decidiu elaborar um material específico: “A partir desse refinamento técnico-científico das condições clínicas dos pacientes com o coronavírus e da experiência do grupo com esses pacientes, desenvolvemos um caderno com 27 pranchas específicas de CAA, que abordam as situações causadas pela COVID-19, considerando as dimensões físicas, sociais, emocionais e espirituais do paciente. Abordar esses aspectos, a partir de um material adequado, vem favorecendo uma avaliação sistemática dos sintomas, com uma participação mais ativa da pessoa em seu tratamento e mantendo a comunicação com a equipe, desde o período de admissão até a alta ou óbito”, explica Patrícia. 


As pranchas podem ser usadas isoladamente ou em conjunto, com variação de dois a seis símbolos cada uma, exceto na prancha com as letras do alfabeto e números. São abordados 12 temas: Sim ou Não; Alfabeto; Números; Escala de intensidade; Como estou me sentindo; Dor e partes do corpo; Perguntas; Necessidades pessoais; Família; O que gostaria de fazer; Religião e Religiosidade; Morte e últimos desejos.

Outro estudo importante desenvolvido pelo grupo de pesquisa foi sobre as ações que são imprescindíveis para a prevenção e o controle das infecções hospitalares durante a utilização dos recursos de CAA nesses ambientes. Por isso e também para facilitar o uso do material foram descritas orientações para que o profissional de saúde possa introduzir e manusear as pranchas de acordo com o protocolo de segurança dos hospitais, diminuindo os riscos de contaminação.

O caderno está disponível para download gratuito no Portal Assistiva. É preciso fazer um cadastro para se logar na plataforma e, então, acessar: “Comunicação Alternativa para pacientes com Covid-19 – Contribuição da Terapia Ocupacional da UFRJ”

“O caderno também foi distribuído internamente para que os profissionais de saúde do HUCFF utilizem durante o processo de cuidado do paciente com a COVID-19. O objetivo é que consigamos ampliar a divulgação não somente deste caderno, mas de conhecimentos relacionados à CAA. Afinal, a capacidade de se comunicar com eficiência, no decorrer do processo de hospitalização, é considerada um direito fundamental do paciente para maximizar o seu cuidado, conforto e bem-estar”, defende a equipe.

Patrícia Santos de Oliveira Coelho é Terapeuta Ocupacional  da  Prefeitura  do Rio de Janeiro. Residência em Clínica Médica pelo  Programa  de  Residência  Multiprofissional do HUCFF. Membro do grupo de pesquisa do CNPq Terapia Ocupacional e Tecnologia Assistiva em diferentes contextos da UFRJ.

Nota: Há variações em relação à Comunicação Alternativa. Em algumas regiões, pesquisadores e profissionais utilizam CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada), em outras, o termo mais usado é CSA (Comunicação Suplementar Alternativa). Por isso, consideramos todas as variações corretas.

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