Abrigo Humano: suporte emocional aos profissionais de saúde e à população no enfrentamento à pandemia

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Profissional da saúde cansada precisando de suporte emocional

Os profissionais da saúde, que estão na linha de frente no combate à Covid-19, ao longo desse tempo de pandemia, além da jornada cansativa nas UTI’s na corrida para salvar vidas, têm sido também suporte emocional aos pacientes e familiares. Mas, como fazem quando eles precisam também de um amparo quando estão esgotados emocionalmente com o tanto de batalhas diárias que enfrentam, não apenas exercendo suas funções, mas quando também precisam lidar com as perdas de pacientes e o luto das famílias?

Pensando nisso é que surgiu o Abrigo Humano, um perfil no Instagram que tem o objetivo de unir voluntários da Psicologia e de áreas diversas da saúde para oferecerem um suporte emocional neste momento de pandemia. “A ideia surgiu no auge da crise do oxigênio nos hospitais em Manaus, em janeiro deste ano, quando vimos diversos profissionais da saúde esgotados emocionalmente e nos deu a ideia de sermos solidários de alguma forma àquela situação. Os profissionais não tinham nem força para pedir ajuda, então nós tínhamos que ir atrás das pessoas para oferecer apoio e ‘pegar pela mão’, praticamente. Então surgiu a ação denominada SOS Manaus, que foi uma live com diversos grupos e outros tantos profissionais da saúde para unir forças a essas pessoas e, assim, várias frentes de suporte se abriram: parceiros, ONGs e grupos de iniciativa livre, todos em prol da solidariedade aos profissionais de saúde na luta contra a Covid-19”, explica a psicóloga Flávia Vieira*.

De acordo com ela, para tornar as ações mais organizadas, os grupos focaram em suas demandas e seus campos de atuação, e Flávia, juntamente com a psicóloga Fabiana Nascimento**, montaram então em março o perfil Abrigo Humano no Instagram, concentrando os atendimentos psicológicos a profissionais de saúde e pacientes Covid.

post do Abrigo Humano sobre o projeto entre pares

“Iniciamos com quatro psicólogos e hoje somos em 70. A ideia é oferecermos, enquanto houver pandemia, um abrigo humano, onde as pessoas se sintam acolhidas e livres de julgamentos”, explica Flávia. Além dos atendimentos individuais, há ainda o projeto ‘Entre Pares’, um espaço onde 26 voluntários de diversas especialidades estão disponíveis para acolher os profissionais de saúde que precisam de apoio emergencial psicológico, e também quem quer apenas desabafar as dificuldades do dia a dia ou trocar informações com outros profissionais que também vivem a pandemia. “Temos a preocupação no ‘Entre Pares’ de cuidarmos da saúde emocional dos profissionais e principalmente da nossa equipe de voluntários. Por isso, mantemos uma agenda fixa de meditações, respirações, sala de escuta e de descompressão, onde damos risada, falamos o que der vontade, sem julgamentos, ficamos em silêncio se for o que precisamos no momento, entre outros aspectos”, diz a fundadora.

O Abrigo Humano também realiza atendimentos individuais ou em grupo ao público em geral de forma gratuita. Mas, quando recorrer a um atendimento? “Estar em pandemia já é um motivo para solicitar um abrigo, pois nunca vivemos a situação pela qual estamos passando. E toda essa realidade é impossível de ser vivida sem sequelas. As questões emocionais que tínhamos antes da pandemia potencializaram. As que não tínhamos chegaram com a pandemia. Por isso, não esperem o comprometimento maior da sua vida para pedir ajuda e lembrem-se que não precisamos viver sem apoio. Vale lembrar que temos um país em luto e um sistema de saúde que nunca esteve preparado para uma situação de pandemia e com profissionais de saúde exaustos e precisando de cuidados. Vivemos uma realidade que também não fomos preparados para enfrentar. Então, não subestimem a necessidade do cuidado, busquem um apoio, pois um abrigo nunca é demais”, diz.

Post do Abrigo Humano sobre atendimentos

De acordo com a especialista, práticas preventivas como meditação são essenciais para o momento por manter uma leveza na rotina, em meio ao clima pesado que a Covid-19 tem tornado o dia a dia das pessoas. “A nossa rotina passou a ser repleta de incertezas, porque a Covid é imprevisível e anuncia a morte e não estávamos preparados para incluir a finitude da vida de forma tão repentina. Cada pessoa que morre é o medo dentro de nós que se atualiza. Cada notícia triste que chega compromete a nossa resiliência e quando imaginamos sair da primeira onda, chega a terceira. Ou seja, o desgaste emocional está muito grande. Somado a tudo isso, ainda temos os nossos próprios dilemas, com os quais temos que lidar, porque a vida não parou”, explica.

Quem tiver interesse em solicitar um abrigo, basta acessar o link na Bio do perfil do Instagram e escolher uma das opções: “Preciso de suporte individual”, “Preciso de um grupo de apoio”, “Quero ser voluntário”, “Entre pares – suporte ao profissional de saúde”; “Sou profissional de saúde mental” ou “Preciso de supervisão”. 

No caso dos profissionais que desejam fazer parte do Abrigo Humano como voluntários, há entrevista com as fundadoras e, caso façam parte do projeto, há também acompanhamento clínico supervisionado em todos os atendimentos. Flávia diz que o Abrigo Humano continuará enquanto houver pandemia: “onde ela for, nós vamos também. Estamos focados na terceira onda e estamos aprendendo com a pandemia a não fazermos planos, a vivermos o hoje da melhor forma e as infinitas possibilidades de ajudar”, afirma.

Flávia Vieira

*Flávia Vieira é Psicóloga clínica, com formação em psicologia hospitalar, pós graduanda em cuidados paliativos.

**Fabiana Nascimento  é Psicóloga clínica, com formação em luto e atuação em plantão psicológico.

Fabiana Nascimento

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