A necessidade da capacitação dos parceiros de comunicação

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Criança e profissional praticando comunicação feita por imagens


Os parceiros de comunicação, sejam profissionais ou familiares, são os principais alicerces no desenvolvimento de pessoas com necessidades complexas de comunicação. Apesar de consolidada como ferramenta fundamental neste processo, a CSA/CAA*** (Comunicação Suplementar Alternativa/Comunicação Aumentativa e Ampliada) é comumente utilizada de forma limitada, principalmente pelos familiares dos pacientes. 

Um dos motivos é a falta de informação sobre o assunto e, na busca por orientações, na grande maioria das vezes na internet, é comum as pessoas encontrarem materiais de fácil acesso, como as pranchas de comunicação, para utilizar com seus filhos em casa, o que é positivo pela acessibilidade do recurso. Porém, é preciso checar se o material é condizente com o sistema de comunicação da pessoa que irá utilizá-lo. Segundo a fonoaudióloga Alessandra Gomes Buosi*, Mestre em Ciências da Saúde, formadora do método PODD e uma das referências em Modelagem no Brasil, cada criança precisa ter seu próprio sistema principal de comunicação. “Vale lembrar que a indicação do sistema mais adequado e das customizações necessárias devem ser feitas por profissional qualificado na área”, esclarece.

Outro erro bastante comum nessa busca e no uso da CSA/CAA no ambiente familiar é o fato dos familiares não conhecerem o sistema de comunicação que será utilizado com a criança. “Quando o familiar não o conhece, é muito difícil dar suporte ao desenvolvimento do filho. Devemos pensar como o aprendizado de uma nova língua e, portanto, não dá pra ensinar algo que não temos conhecimento. Precisamos, então, primeiro aprender a usar o recurso para depois ensinarmos como usá-lo”, explica a especialista.

“Na minha experiência o erro mais comum é considerar o sistema de comunicação uma atividade isolada, uma tarefa, e não a língua, que é o recurso para a pessoa se expressar durante o dia todo. Outro equívoco é acreditar que adquirir ou produzir um recurso de CSA/CAA já é o suficiente. Nesse momento o trabalho está apenas começando. A linguagem leva anos para se desenvolver tipicamente e assim também acontece quando tem o apoio de símbolos, como preparar uma prancha de comunicação temática. Ela pode ser muito útil para auxiliar na compreensão de determinadas tarefas ou atividades. Entretanto, se a prancha for para a gaveta depois de usada naquela atividade, muito pouco terá valido. É importante que o vocabulário disponibilizado em algum momento permaneça acessível ou então as palavras usadas naquela atividade não se generalizam e o aprendizado não se efetiva. Dessa forma, é importante criar um sistema de acesso a essas pranchas temáticas para que a criança possa recorrer a elas quando precisar usar alguma palavra trabalhada durante aquele tema”, orienta.

Como deve ser o sistema de comunicação em casa

De acordo com Alessandra, após conhecer e ter domínio do sistema de comunicação da criança, é preciso checar se os familiares, que são os principais parceiros de comunicação da pessoa com necessidade complexa de comunicação, estão executando os seguintes pontos:

  1. Modelagem – é quando a criança aprende a partir de ‘modelos’ de comunicação criados durante o processo de aprendizagem. Quando se usa a CSA/CAA é preciso modelar o tempo todo (veja neste link uma matéria sobre como fazer a modelagem).
  2. Ser um parceiro de comunicação eficiente – como mencionado, o parceiro de comunicação só se tornará, de fato, eficiente no desenvolvimento da comunicação do paciente quando houver o conhecimento e domínio do sistema de comunicação que será utilizado para, então, o aprendizado ser eficiente.
  3. Selecionar e organizar o vocabulário em CSA corretamente – como mencionamos, é comum as pessoas baixarem pranchas de comunicação de grupos na internet ou no WhatsApp. Apesar de positivo por ser um recurso acessível, é preciso checar antes se o vocabulário foi selecionado adequadamente e se está disposto de modo a facilitar o acesso do usuário ao material. 
  4. O recurso de comunicação está de acordo com as necessidades específicas daquela criança, fortalecendo suas potencialidades e auxiliando nas dificuldades? Para tanto a avaliação de linguagem considerando o perfil comunicativo atual é fundamental.

Pensando nessas questões, é que a Alessandra irá ministrar o curso “Implantando a CSA – Habilidades importantes em sistemas robustos de comunicação”, pela clínica Clarear Fonoaudiologia, da qual é supervisora. São quatro módulos que abrangem os pontos fundamentais para que pais, familiares e profissionais possam se tornar parceiros de comunicação eficientes, auxiliando, de fato, no desenvolvimento da comunicação de filhos e pacientes. Para mais informações, clique aqui.

Capacitação dos profissionais que atuam com CSA/CAA

É fato que a constante atualização do profissional em relação à sua profissão é uma necessidade para se manter no mercado de trabalho oferecendo um trabalho de qualidade. No entanto, no caso dos Terapeutas Ocupacionais e Fonoaudiólogos, a questão tem sido um desafio para quem atua com CSA/CAA. “Há a necessidade dos profissionais se capacitarem constantemente por conta da dinamicidade na inovação tecnológica hoje no mercado e de novos métodos disponíveis, além de conhecerem a rede existente de serviços dessa área para poderem indicar e encaminhar seus pacientes caso necessitem”, explica a Profa. Dra. Gerusa Ferreira Lourenço**, Doutora em Educação Especial e docente do Departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

De acordo com a especialista, “com o avanço nos recursos e os múltiplos canais de informação, os usuários e as famílias sempre desejam o equipamento mais avançado, o que nem sempre é o adequado a ser prescrito. Então, é  comum nos depararmos na prática clínica com prescrições de recursos de CSA/CAA diferentes das expectativas das famílias, o que pode fragilizar a confiança no tratamento. Assim, quanto mais preparado e atualizado estiver o profissional, melhor saberá lidar com essas situações, e conseguirá acolher as demandas e indicar alternativas alinhadas com a expectativa do paciente e da família com o melhor a ser implementado em cada caso e em cada contexto”.

Há ainda casos de famílias que adquirem recursos de alta tecnologia e, por isso, é necessário que os profissionais que irão acompanhar o tratamento do paciente estejam capacitados para fazer uso de tais recursos na rotina do usuário. “A autonomia do paciente deve ser sempre o alvo, mas sabemos que muitos profissionais têm dificuldades em encontrar formação e treinamentos em relação aos recursos de alta tecnologia ou a quem recorrer para trocar experiência, como colegas de profissão. E, muitas vezes, a busca pela capacitação acaba sendo um caminho solitário de formação, com muitas tentativas e erros, até mesmo para aqueles que estão diretamente na atuação com esse público”, avalia a docente. 

De acordo com a professora, a dificuldade de materiais e cursos de capacitação dos profissionais da área é o que tem motivado a UFSCAR, com incentivo da ISAAC-Brasil (International Society for Augmentative and Alternative Communication), a criar espaços de conhecimento com seminários, minicursos e oficinas e também mantido grupos de estudo sobre recursos de tecnologia assistiva e CSA/CAA. O que também é um esforço incentivado pela ISAAC-Brasil. Segundo Gerusa, uma das ideias que ainda está sendo formatada para os tempos atuais é disponibilizar cursos de curta duração on-line. “Queremos dar apoio a todos os profissionais que não têm como vir ao campus da Universidade para se capacitar. Temos ainda o objetivo de realizar mais workshops com empresas parceiras, como a Civiam, sobre as novas tecnologias para que os profissionais se mantenham atualizados sobre os recursos que estão sendo disponibilizados no mercado em tecnologia assistiva”, diz. Em nosso site, na área treinamentos, disponibilizamos diversos webinários realizados sobre os recursos de alta tecnologia da Tobii Dynavox, marca da Suécia que, desde 2010, oferece as melhores soluções em comunicação alternativa e, assim, proporcionar melhor qualidade de vida a quem precisa. A Civiam é representante oficial da marca no Brasil. Saiba mais clicando neste link.

Alessandra Buosi

*Alessandra Gomes Buosi é Fonoaudióloga pela Unesp, Especialista em Voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, Especialista em Motricidade Orofacial pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, Aprimoramento em Dislexia e Distúrbios de Aprendizagem pelo CEFAC. Com Mestrado em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina do ABC, a especialista tem experiência em CSA com BLISS, PECS, PCS, MAKATON, Core words e PODD. É também Membro associado do ISAAC, Supervisora da clínica Clarear e formadora do método PODD.

**Gerusa Ferreira Lourenço é Terapeuta Ocupacional, Doutora em Educação Especial e docente do departamento de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

***Nota: Há variações em relação à comunicação alternativa. Em algumas regiões, pesquisadores e profissionais utilizam CAA (Comunicação Alternativa e Ampliada), em outras, o termo mais usado é CSA (Comunicação Suplementar Alternativa). Por isso, consideramos todas as variações corretas.

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